Acordo entre PNUD e Caixa Econômica Federal tenta ampliar atuação internacional do banco e levar microcrédito a pessoas muito pobres
MARCELO OSAKABE
da PrimaPagina
O PNUD fechou um acordo com a Caixa Econômica Federal (CEF) para ajudar o banco a reforçar suas ações na área social. O apoio inclui tanto programas no Brasil — como microcrédito e incentivo aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio — quanto em países em desenvolvimento, sobretudo na África. Durante dois anos, consultores da agência da ONU vão dar capacitação para que técnicos da Caixa possam melhor formular, implementar, monitorar e avaliar projetos nessas áreas.
O acordo tem três objetivos principais, segundo o coordenador-geral do programa Caixa ODM (Objetivos do Milênio), Laurêncio João Korbes. Um deles é expandir o programa de microcrédito do banco, de modo que ele se estenda a pessoas mais pobres. "O Brasil precisa muito desenvolver esse braço, que é voltado para camadas de baixíssima renda", afirma Korbes.
Hoje, o programa oferece empréstimos de R$ 250 a R$ 5 mil para pessoas de baixa renda. Essa modalidade tem algumas simplificações em relação ao crédito normal — não é necessário apresentar um avalista nem outros tipos de garantias de que essa faixa da população simplesmente não dispõe —, mas há requisitos: é preciso comprovar um ano de ocupação contínua e estar com nome limpo na praça. Com o PNUD, a Caixa vai estudar como ampliar a iniciativa mesmo para quem não consegue cumprir esses requisitos.
Outra meta do acordo, assinado em 9 de novembro, é capacitar a Caixa para que ela atue também no exterior, em programas em países da África, como Namíbia, ou em outras nações subdesenvolvidas, como Líbano e Haiti. O banco, em parceria com o PNUD, manteria contato com governos desses locais para apresentar programas de microcrédito e outros projetos sociais, como construção de casas populares e incentivo à inclusão bancária.
Caixa Objetivos do Milênio
Além disso, a instituição quer reestruturar o programa Caixa ODM. Criado em 2006, ele é voltado a comunidades de baixa renda — como catadores de materiais recicláveis, quilombolas, indígenas e artesãos — e premia todo ano projetos feitos por esses grupos. Além do prêmio, os vencedores recebem o acompanhamento de um comitê de funcionários voluntários do banco, que cuidam de inseri-los em programas do governo, incentivam a inclusão digital e oferecem outras ações. As iniciativas do Caixa ODM são normalmente acompanhadas de outras parcerias, com gestores municipais, universidades e iniciativa privada, o que acaba gerando outros tipos de apoio a essas populações.
A assistência do PNUD consistirá em preparar os funcionários e atuar com eles nesses projetos. Hoje, não há uma forma padronizada de ação para os 90 comitês de funcionários, que acabam atuando de forma "empírica", segundo Korbes. Com a parceria, será criada uma metodologia de gestão e implementação para que o projeto possa medir os impactos nos locais. "O que se precisa fazer é aperfeiçoar esse trabalho, para que o Caixa ODM tenha resultados estruturantes, de forma que possam ser posteriormente medidos. Queremos promover uma mudança estruturada e sustentável”, declara.
http://www.pnud.org.br/administracao/reportagens/index.php?id01=3351&lay=apu