João Z.
Novice

Mensagens: 4
|
 |
« em: Agosto 06, 2009, 03:45:49 » |
|
EXCERTOS de um texto de Jeremias Vunjanhe A construção de mais uma barragem no Rio Zambeze, que irá aumentar o perigo de ocorrências sísmicas, que poderão resultar no desmoronamento das barragens de Kariba e Cahora Bassa; As autoridades moçambicanas que deviam considerar o potencial de terramotos de proporções e magnitude ainda maiores que o de 2006, pois a região onde se pretende construir a barragem de Mphanda Nkuwa situa-se junto ao sistema de vales de fracturas da África Oriental; O facto de o projecto de Mphanda Nkuwa representar um perigo para as populações ribeirinhas e circundantes; O projecto de Mphanda Nkuwa, que nunca seria aprovado na África do Sul por não reunir os requisitos estipulados no relatório da Comissão Mundial de Barragens. Face a estes dados uma pergunta fica no ar. Estes factos não deveriam ser relatados pela nossa impressa, que deveria estar mais alerta dos problemas, interesses e esquemas nacionais e que supostamente teria maior acesso à informação? Para isso, era preciso que fossemos mais transparentes e imparciais. Enquanto Moçambique se desdobra em mobilizar recursos financeiros para a construção deste empreendimento, a China, tido como o maior financiador, anunciou medidas que visam travar o desenfreada construção de hidroeléctricas. Pequim, segundo a imprensa internacional suspendeu, em Junho último, a construção de várias hidroeléctricas impulsionadas pelas autoridades locais nas províncias do sudoeste, região rica em recursos naturais. A produção energética, trata-se de uma visão muito mais voltada ao mercado externo do que ao interno, particularmente o da África do Sul, tanto que, de tudo que se produz, mais de 50% da Hidroeléctrica de Cahora Bassa vai para o exterior.
Quando se fala em um projecto da dimensão de Mphanda Nkuwa cujos impactos podem afectar o futuro do Pais, é preciso que os meios de comunicação social explorem as diversas temáticas e as implicações de cada medida a ser tomada desde a viabilidade do projecto quer económica, ambiental ou social, passando pela transparência do processo na selecção e contratação de vários intervenientes, até aos interesses ocultos dos financiadores. Merece ser citada nestas matérias a ficção dos empregos. Praga dos tempos modernos, a criação de postos de emprego é usada para justificar qualquer campanha de venda dos nossos recursos e infernizar a vida de quem há muito espera pelo propalado desenvolvimento do País. Para exemplificar, basta procurar saber qual a quantidade de pessoas empregues em vários mega-projectos no País e o reflexo disso nas suas vidas. É preciso que se debata o assunto a respeito da matriz energética que o Pais pretende adoptar e a verdadeira razão da atitude arrogante por parte do Governo em assuntos tão sensíveis como este. O mesmo aconteceu em relação ao processo de reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa, à concessão da licença da Mina de Moatize, da Jatropha, do fundo de iniciativas locais, do Scanner, etc. De contrário, continuaremos a ter projectos cujos impactos negativos não tardarão a agravar a já precária situação do cidadão comum em benefício de uma pequena fatia pertencente à elite moçambicana e que há muito deixou de se preocupar com a qualidade de vida da população.
|