Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo, no Brasil, viveu mais um episódio de ódio racial contra a população negra e contra todos aqueles que repudiam, combatem e querem a superação do racismo e das desigualdades na sociedade. No dia 12 último, sábado, um trabalhador negro, Geraldo Garcia, de 55 anos, foi violentamente agredido, na avenida Francisco Junqueira, por três estudantes de medicina. Garcia se dirigia de bicicleta ao trabalho quando foi atingido por golpes de tapetes de borracha. Enquanto o atingiam os agressores gritavam: “ô seu negro, toma seu negro” e davam gargalhadas com a queda e sofrimento do atingido. Fugiram gritando eufóricos e em alta velocidade. O fato foi testemunhado por três pessoas que saíam do trabalho. Justamente indignados, perseguiram, conseguiram deter os agressores e, corretamente, chamaram a policia. Presos em flagrante, os três pretensos futuros médicos foram levados à delegacia. Com o relato das testemunhas, o delegado Mauro Coraucci lavrou o flagrante: crime de racismo inafiançável e imprescritível.
Mas OS AGRESSORES ESTÃO SOLTOS, no conforto dos seus lares. Motivo: a justiça acatou os argumentos dos advogados dos agressores e desqualificou a agressão como crime de racismo. Os criminosos pagaram fiança e estão livres.
O que toda a sociedade está se perguntando é: se um ato criminoso comprovado honestamente por três testemunhas e confirmado em depoimento pela vítima e acatado devidamente pelo delegado é desqualificado, o que seria necessário para configurar crime de racismo? A confissão solene dos agressores? Se gritar “ô seu negro, toma seu negro” não qualifica a ação criminosa como agressão étnico-racial, o que seria necessário a mais para sensibilizar ou mesmo para esclarecer as autoridades? O que farão os estudantes agressores quando se formarem? Nossos filhos estarão nas mãos deles, mãos sujas de sangue e garantidas pelo tratamento desigual, pelos privilégios sociais e raciais, pela impunidade?
Isso apenas reforça as pesquisas que comprovam ser a justiça brasileira cega para o racismo. Confirma o que parece já ser uma prática do judiciário nacional: desconfigurar o crime de racismo através de malabarismos através de malabarismos jurídicos, e suavizar a interpretação legal das práticas de discriminação racial, garantindo assim a possibilidade de pagamento de fiança e penas mais brandas para os racistas.
Só a história pode explicar a impunidade. No País que mais tempo demorou para abolir a escravidão e o chicote, nunca houve punição para crimes raciais. O precedente é por demais perigoso. A própria história mostra. Foi assim na Alemanha antes e durante o regime de Hitler. Foi assim entes e durante o apartheid que vigorou na África do Sul. Foi assim nos EUA durante os anos de terror perpetrados pela Klu Klux Klan.
Para que o terror racista não cresça e vigore totalmente aqui, lute! Manifeste-se! Mostre a sua indignação! Combata o racismo geral e o racismo institucional e condene a impunidade. Ou a próxima vítima será você ou seu filho – e os agressores sairão impunes.
Ribeirão Preto, 16 de dezembro de 2009
Centro Cultural Orunmila
O Centro Cultural Orùnmilá convida a todos e todas a unirem-se a nós na luta contra o racismo, manifestando nosso repúdio à violência desferida contra o trabalhador negro Geraldo Garcia no último sábado, 12 de dezembro.
Participem da manifestação pública:
Dia 16/12/2009 (quarta-feira);
Horário: 20h
Local: Em frente o Centro Universitário Barão de Mauá (Rua Ramos de Azevedo, 423, Jardim Paulista)
Centro Cultural Orùnmilá
Leiam mais sobre o ocorrido:
http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2009/12/13/juiz-entende-que-nao-houve-racismo-liberta-estudantes-que-agrediram-homem-negro-em-sp-915180773.asp http://www.band.com.br/jornalismo/cidades/conteudo.asp?ID=239484 http://www.parana-online.com.br/editoria/pais/news/415759/?noticia=POLICIA+PRENDE+ESTUDANTES+POR+RACISMO+EM+RIBEIRAO+PRETO http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,estudantes-presos-por-racismo-sao-soltos-em-ribeirao-preto,481347,0.htm