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Autor Tópico: Mais um Dia em Maputo  (Lida 3753 vezes)
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« em: Janeiro 11, 2010, 01:28:28 »

Dia 28 de Dezembro, eram 15h30min e estava um dia solarento e quente. Estávamos nos
preparativos para a habitual viajem de fim?do?ano e, como muitos outros Maputenses, fazemos
parte das compras na loja da cadeia sul?africana GAME, na Marginal de Maputo.
Ao chegar estacionámos em frente ao corredor para as retretes públicas da loja ás quais nos
dirigimos para fazer uso delas.
Á nossa frente reparamos que caminhava, na mesma direcção, um jovem negro muito alto e
distinto. “Outro cliente do GAME ou da praia á procura de alívio” – pensei eu.
Ao chegarmos à retrete pública o mesmo jovem nos indicou qual era a retrete para senhoras e a
minha esposa entrou. Eu fiquei cá fora á espera e peguei no celular para enviar mais uma mensagem
festiva.
Foi nesse momento que o tal jovem que nos tinha indicado qual a entrada para a retrete designada
para senhoras aparece com mais três jovens e me aponta uma arma de fogo. “Para dentro!” –
ordenou sem cerimónias.
Eu percebi logo pois outros dois dos quatro manipularam as suas pistolas também. Prontamente
obedeci e ao entrar na retrete das senhoras a minha esposa vinha a sair.
Rápidamente empurrei?a para dentro de um dos cubículos e fiquei em frente para que os assaltantes
não pudessem chegar a ela. Os assaltantes encostaram uma arma á minha cabeça e outra ao meu
estômago: “Daqui mato os dois só com um tiro por isso nada de tentar alguma coisa” – disse o que
parecia ser o chefe.
A minha esposa estava óbviamente aterrorizada e eu não estava menos. Eles rápidamente
revistaram os meus bolsos e retiraram tudo que tinha. “Ao menos deixem os documentos” – disse
eu.
“Para quê, se vamos vos matar” – respondeu em inglês o mais nervoso dos quatro. Gelei.
Mas o “chefe”, muito calmo e frio, disse: “Ainda não, queremos a bolsa da senhora”.
A minha esposa atirou a bolsa por cima do meu ombro e eles não gostaram, queriam pegar nela,
queriam revistá?la. Eu não me mexi, continuei bloqueando a entrada para o cubículo e disse?lhes que
levassem o que quisessem, não precisavam dela.
Depois de mais algumas ameaças de morte eles calmamente despejaram o conteúdo da bolsa e
pegaram no celular e no dinheiro. Eu consegui, sem saber como, manter a calma e ao fim do que
pareceu uma eternidade o chefe disse: “Estes não vale a pena matar, vamos embora!” e
prepararam?se para sair mas não sem antes nos dizer que se saíssemos atrás deles não hesitariam
em abrir fogo.
Mal eles saíram a minha esposa cedeu. Depois de alguns minutos a acalmá?la e a recolher tudo que
eles tinham espalhado no chão saí a correr para ver se a segurança do GAME teria reagido. Para
minha surpresa não se via nem um segurança!!!
O primeiro a ver?me foi um funcionário das limpezas que quando se apercebeu do que estava a
acontecer correu para chamar os seguranças (da empresa ARKHÊ) que para minha surpresa estavam
TODOS reunidos no canto oposto do estacionamento, por trás da rampa de diversões alegadamente
a ver um carro cujo alarme tinha disparado! O facto de não haver carro nenhum ali não apoiava essa
justificação.
Prontamente procuraram, sem resultado óbviamente pois já deviam estar muito longe dali, pelos
homens que descrevemos. Um dos seguranças confirmou ter visto o jovem alto que descrevemos a
sair do GAME com algumas cervejas dentro de um saco.
Uma vez que nada mais havia a fazer dirigi?me ao interior do GAME onde o sr. Ruben Ngovene, que
me foi apresentado como responsável pela segurança da loja. Entretanto o responsável pelos
seguranças da empresa ARKHÊ já tinha ouvido o meu relato e estava a fazer o interrogatório ao seu
pessoal.
A Gerente do GAME foi notificada por telefone e aparentemente estava fora do País. Até hoje ainda
não entrou em contacto comigo como me foi dito que faria.
Após prestar o meu depoimento o sr. Ruben Ngovene recomendou que fosse á esquadra e nós
rápidamente o fizémos. Na esqudra os oficiais foram impecáveis e, no meu carro pois não tinham
transporte, fizémos uma busca de duas horas pelos bairros da zona á procura dos homens que nos
haviam assaltado. Infelizmente a busca não deu resultados.
No dia seguinte, 29 de Dezembro, voltei ao GAME para entregar o número do processo da Polícia e
ouvi o oficial de segurança da ARKHÊ relatar o acontecido e intercedi, apresentando?me como a
vítima do assalto. A pessoa a quem ele relatava apresentou?se como sendo o sr. Tony, Director da
ARKHÊ que prontamente pediu para que lhe relatasse o acontecido. Depois de dar a volta ao recinto
ouvindo o meu relatório convidou?me a ir á administração do GAME e falar com o Delegado
presente.
Ambos reconheceram que apesar de não se responsabilizarem pelo que acontece dentro do recinto
do GAME este caso era, para além de ser o primeiro, resultado de alguns problemas actuais com o
sistema de segurança do recinto.
O primeiro problema levantado por mim foi a situação isolada do bloco de sanitários públicos. Este
bloco de sanitários, e o caminho que conduz a ele, são rodeados por uma rede coberta por uma
malha escura que não permite que se veja nada do que acontece por lá o que torna o local propício
a estes assaltos.
O segundo problema foi declarado por mim e confirmado pelo funcionário da limpeza que foi a
primeira pessoa que apanhei quando saí do sanitário depois de os assaltantes se porem em fuga: os
seguranças estavam todos á sombra num canto do estacionamento. De forma alguma teria
acontecido o assalto caso houvesse segurança nos seus devidos lugares.
Até ao dia que escrevo esta peça ainda não recebi informação nenhuma do GAME. O sr Anthony
Adams, da ARKHÊ, foi muito prestável quando lhe liguei e garantiu que iria tratar do processo o mais
rápido possivel. Desde o incidente que é este senhor que me mantém informado dos
desenvolvimentos. Nenhum oficial ou representante do GAME tentou entrar em contacto comigo.
Infelizmente esta é a situação que vivemos na nossa cidade: andamos no dia?a?dia expostos a
situações que seriam perfeitamente evitáveis se todas as empresas a quem pagamos ou donos dos
estabelecimentos dos quais somos clientes se esforçassem para, no mínimo, cumprir a sua
obrigação!

Nuno do Rosário
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« Responder #1 em: Janeiro 13, 2010, 06:02:15 »

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