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Autor Tópico: UNIDADE NACIONAL!  (Lida 591 vezes)
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« em: Março 31, 2010, 03:14:09 »

Em tempos recentemente idos uma das únicas vias de ingresso às universidades públicas era por via do exame de admissão.
Tenho certas reservas se esta era e é uma das melhores formas de avaliar as capacidades mentais dos examinandos, mas tenho plena certeza que era e continua sendo a melhor via de selecção dos candidatos aptos a frequentar o ensino superior. Eram de glória aqueles tempos em que estando por exemplo numa zona onde há exiguidade de bibliografias fruto da insuficiência de bibliotecas e livrarias, mesmo assim estudar, “dar no duro” com o pouco de material existente e encontrar o nome na pauta “printado” a negrito  como sinal de ter sido admitido à universidade. Era de fazer chorar de emoção a família, mesmo que aquilo não significasse o fim da pobreza mental do candidato, era gratificante.
Mas infelizmente mudam-se os tempos, mudam-se as vontades já dizia um ilustre poeta luso, Luís Vaz de Camões de seu nome completo. Hoje em dia  há várias formas de  ingressar nas nossas universidades públicas, uma dessas formas que penso ser pouco justa é a via “unidade nacional” assim baptizada por alguns pelo facto de beneficiar os parentes dos ex-libertadores da pátria, pois ingressam ao ensino superior nas universidades públicas isentos de exame de admissão. Não estou a pôr em causa o facto de serem parentes de ex-libertadores da pátria, aí de mim se ponho em causa aqueles que deram cada gota do seu suor e sangue para termos esta nação que hoje temos. Para termos uma independência que nos tempos idos era uma miragem foi graças a eles. Eles deram a sua juventude em prol de um Moçambique melhor, hoje somos uma nação livre do jugo colónial. Por isso que fique claro que não está em causa o estatuto deles mas sim o facto de ser uma via de admissão que me parece ser injusta, por que senão vejamos: dois candidatos, sendo um parente de um ex-libertador da pátria e o outro um anónimo que concorrem de uma zona onde há exiguidade de material, o candidato anónimo “dá no duro”, estuda para valer durante dias e noites convista a fazer o exame e sair vitorioso, o outro apenas reúne uma papelada e zás envia a mesma papelada no sítio indicado, muitas vezes acontece que o anónimo que gastou o seu tempo lendo o pouco material que tem acaba tendo como nota dez valores e mesmo assim não ingressa pelo facto de vários factores burocráticos da instituição, o outro candidato ao ensino superior sem tanto esforço acaba ingressando, aqui me pergunto, não por essa via de ingresso não estará a se injustiçar o outro candidato? Muitas vezes acontece também que os dois até que conseguem ingressar mas chegados no terreno o parente do ex-libertador da pátria acaba sendo matriculado numa área diferente daquela que ele seguia no nível médio, isto é, ao invéz de ser matriculado nas letras é colocado nas ciências exactas,o resultado aqui é previsível a olho nú sem auxílio de lupa ou microscópio, serão reprovações por cima de reprovações. Pode até nalgumas situações ser colocado na área que vinha seguindo no nível médio mas a probabilidade de assimilar a matéria e de dar-se bem nos testes é remota, um e outro conseguem realmente dar conta do recado mas os outros não. Como resultado, o curso de quatro fazem em oito ou dez anos. Será este tipo de quadros que queremos para o amanhã? Não digo que o candidato anónimo fará o curso em tempo recorde mas de uma coisa estou ciente, de que terá poucas dificuldades relativamente ao candidato que ingressou sem tanto esforço.
É hora de repensarmos nas estratégias do combate a pobreza mental, que é a pior forma de pobreza que infelizmente graça a sociedade Moçambicana.
Um forte abraço a todo povo Moçambicano do Rovuma ao Maputo.

Por Danilo Tiago
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