|
linguadeperguntador
|
 |
« em: Setembro 08, 2011, 04:47:52 » |
|
Em pleno século xxi deparamos ainda com cenas absurdas perpetradas pelos cidadãos portugueses residentes em Moçambique. Muitos são os casos de abusos um pouco por todo o lado no nosso pais, eu já passei por isso em uma empresa que trabalhei que via alguns colegas serem tratados como bichos, e por temerem perder os seus empregos remetiam-se ao silêncio.
Será que não chegou a hora de deixarmos de ser pacíficos? Será que em nossa casa temos que continuar a ser maltratados como se ainda estivéssemos no tempo colonial?
Sabemos que os portugueses tem vindo a fazer vários investimentos no pais, o que de certa forma e bom para o crescimento do pais mais não lhe da o direito de nos tratar como se fossemos cães. Se formos ao aeroporto de mavalane todos os dias chegam mais de 100 portugueses ao pais, e eu me pergunto quantos moçambicanos querem ir a Portugal e são recusados os vistos de entrada naquele pais? Mesmo com a crise económica ainda continuam arrogantes ao invés de serem humildes que só teriam a ganhar com isso.
Sobre a feira internacional (FACIM) que se realizou em Marracuene entre os dias 29/08 a 04/09, aconteceu algo inadmissível que passou normalmente aos olhos dos organizadores. Algo que eu acho uma tremenda falta de respeito aos moçambicanos que se dirigiram a Marracuene na sexta-feira. Varios foram os moçambicanos como eu que tentaram entrar no pavilhão de Portugal e foram impedidos alegadamente por não serem portadores de um convite.
Porque será que fomos cobrados 75.00Mtn a entrada e não fomos informados que não poderíamos visitar o pavilhão de Portugal?
Eu tentei entrar e fui prontamente barrado pelos seguranças, de seguida perguntei o que se passava e foi me exigido um convite, eu simplesmente perguntei se estas outras pessoas de raça branca que tinham entrado a minha frente e estas que estão a entrar teriam convites, e o segurança não sobe responder. Depois como um bom moçambicano que não fica calado comecei a exaltar-me quando o segurança pediu-me para entrar. Como no meio de muitos portugueses ainda existem alguns com carácter a minha colega foi lá dentro e falou com alguém do ICEP que prontamente veio a porta e convidou-me para entrar.
O que será das pessoas que não sabem se defender? Porque será que temos que ser humilhados em nossa casa? Será que ainda teremos que lutar contra o colonialismo?
“Moçambicanas e Moçambicanos, operários e camponeses, trabalhadores das plantações, das serrações e das concessões, trabalhadores das minas, dos caminhos-de-ferro, dos portos e das fábricas, intelectuais, funcionários, estudantes, soldados moçambicanos no exército português, homens, mulheres e jovens, patriotas: Em vosso nome, a FRELIMO proclama hoje solenemente a insurreição geral armada do Povo Moçambicano contra o colonialismo português, para a conquista da independência total e completa de Moçambique. O nosso combate não cessará senão com a liquidação total e completa do colonialismo português.”
Foram estas palavras proferidas pelo falecido presidente Samora Machel aos 25 de Junho de 1975 no estádio da Machava, mas sinto que a liquidação total e completa do colonialismo português não esta alcançado e o combate já terminou há muito tempo.
Cremildo Chemane
|