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1  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel: A INSUSTENTÁVEL POSIÇÃO DO IMPÉRIO em: Maio 25, 2011, 04:50:46
Ninguém pode garantir que o império em sua agonia não arraste o ser humano à catástrofe. Como é bem sabido, enquanto exista a vida de nossa espécie, toda pessoa tem o dever sagrado de ser otimista. Eticamente não seria admissível outra conduta. Lembro bem que um dia, há quase 20 anos, eu disse que uma espécie estava em perigo de extinção: o homem.
Diante de um seleto grupo de governantes burgueses aduladores do império, entre eles o de corpulência bem alimentada, o alemão Helmut Kohl, e outros parecidos que faziam coro a Bush pai — menos tenebroso e alienado do que seu próprio filho W. Bush —, não podia deixar de expressar aquela verdade que via muito real, embora ainda mais longínqua do que hoje, com a maior sinceridade possível.
Ao ligar a televisão aproximadamente às12h15, porque alguém me disse que Barack Obama proferia seu anunciado discurso sobre política exterior, prestei atenção a suas palavras.
Não sei por que apesar da imensa quantidade de despachos e notícias que escuto diariamente, em nenhum vi que o sujeito falaria a essa hora. Posso assegurar aos leitores que não são poucas as bobagens e mentiras que, entre verdades dramáticas e fatos de todo tipo, leio, escuto ou vejo em imagens todos os dias. Mas este caso era algo especial. Que iria dizer ele a essa hora neste mundo angustiado pelos crimes imperiais, pelos massacres, ou pelas mortíferas bombas lançadas por aviões sem piloto, que nem sequer Obama, agora dono de algumas decisões de vida ou morte, imaginava quando era estudante de Harvard há apenas umas dezenas de anos?
Ninguém suponha, logicamente, que Obama é dono da situação; só maneja algumas partes importantes que o velho sistema em sua origem outorgou ao “Presidente Constitucional” dos Estados Unidos da América. A estas alturas, após 234 anos da Declaração de Independência, o Pentágono e a CIA conservam os instrumentos fundamentais do poder imperial criado: a tecnologia capaz de destruir o gênero humano em questão de minutos, e os meios para penetrar nessas sociedades, enganá-las e manipulá-las impudentemente pelo tempo que precisem fazê-lo, pensando que o poder do império não tem limites. Confiam em dirigir um mundo dócil, sem perturbação alguma, todo o tempo futuro.
É a idéia absurda em que baseiam o mundo de amanhã, sob “o reino da liberdade, da justiça, da igualdade de oportunidades e dos direitos humanos”, incapazes de ver o que está a acontecer realmente com a pobreza, a falta de serviços elementares de educação, saúde, emprego e pior ainda: a satisfação de necessidades vitais como alimentos, água potável, teto e mais outras.
Curiosamente, alguém pode se perguntar, por exemplo, o que ocorrerá com os 10 mil mortos por ano que provoca a violência derivada das drogas, fundamentalmente no México, ao qual podem ser acrescentados os países da América Central e vários dos mais populosos do sul do continente?
Não é minha intenção ofender esses países; o propósito é apenas assinalar o que lhe acontece aos outros quase diariamente.
Sim é preciso fazer uma pergunta quase de imediato: que ocorrerá na Espanha onde as massas protestam nas cidades principais do país porque até 40% dos jovens estão desempregados, para apenas citar uma das causas das manifestações desse combativo povo? Será que vão começar os bombardeios da NATO nesse país?
Contudo, a estas horas, 16h12, ainda não foi publicada a bendita versão oficial em espanhol do discurso de Obama.
Peço desculpas por esta improvisada Reflexão. Tenho outras coisas das quais me ocupar.
 
Fidel Castro Ruz
19 de Maio de 2011
16h16
 
2  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - As mentiras e as incógnitas na morte Bin Laden em: Maio 09, 2011, 12:09:47
Os homens que executaram Bin Laden não agiram por sua conta: cumpriam ordens do governo dos Estados Unidos. Tinham sido rigorosamente selecionados e treinados para missões especiais. Sabe-se que o Presidente dos Estados Unidos pode, inclusive, comunicar-se com um soldado em combate.
Horas depois de realizar a ação na cidade paquistanesa de Abbottabad, sede da mais prestigiosa academia militar desse país e importantes unidades de combate, a Casa Branca ofereceu à opinião mundial uma versão cuidadosamente elaborada sobre a morte do chefe de Al-Qaeda, Osama Bin Laden.
Como é lógico, a atenção do mundo e da imprensa internacional se focaram no tema, deslocando as outras notícias do âmbito público.
As cadeias de televisão norte-americanas divulgaram o discurso esmeradamente elaborado do Presidente, e mostraram imagens da reação pública.

Era óbvio que o mundo se apercebia da delicadeza do assunto, visto que o Paquistão é um país de 171 milhões 841 mil habitantes -[onde os Estados Unidos e a NATO levam a cabo uma devastadora guerra que dura já dez anos]- possuidor de armamento nuclear e tradicional aliado dos Estados Unidos.
Sem dúvidas, o país muçulmano não pode concordar com a sangrenta guerra que os Estados Unidos e seus aliados realizam contra o Afeganistão, outro país muçulmano com o qual partilha a complicada e montanhosa fronteira traçada pelo império colonial inglês, onde tribos comuns moram a ambos os lados da linha divisória.
A própria imprensa dos Estados Unidos compreendeu que o Presidente ocultava quase tudo.
As agências de notícias ocidentais: ANSA, AFP, AP, Reuters e EFE, a imprensa escrita e importantes sítios Web refletem interessantes informações sobre o fato.
The New York Times assegura “que os fatos diferem significativamente da versão oficial apresentada na terça-feira pela Casa Branca e altos funcionários de inteligência, segundo os quais a morte de Bin Laden -que finalmente reconheceram não estava armado embora garantissem que se ‘resistiu’- acontecera no meio de um intenso tiroteio.

“Mas segundo o jornal nova-iorquino, a operação, ‘embora caótica e sangrenta, foi extremamente unilateral com uma força de mais de
20 membros dos SEAL que despachou rapidamente o punhado de homens que protegia Bin Laden’.”
“…o ‘Times’ assegura agora que ‘os únicos disparos feitos pelos que se encontravam no complexo residencial aconteceram no início da operação’.
“Exatamente, ocorreram ‘quando o mensageiro de confiança de Bin Laden, Abu Ahmed al Kuwaiti, abriu fogo desde detrás da porta da casa de hóspedes adjacente à casa onde Bin Laden se escondia’.
“‘Depois que os SEALs mataram Kuwaiti e uma mulher na casa de hóspedes, os estadunidenses não foram atacados com disparos nem uma vez mais’, sustenta o jornal baseado nas referidas fontes, cuja identidade não revela…”
“Na terça-feira, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, tinha garantido numa ‘narrativa’ dos acontecimentos da madrugada de domingo para segunda-feira, que o comando estadunidense sofreu um tiroteio ‘ao longo da operação’.
“Também o diretor da CIA, Leon Panetta, tinha falado de ‘alguns tiroteios’ enquanto os militares de elite estadunidenses iam despejando os pisos da residência onde se escondia Bin Laden.”

“Doutro lado, no entanto, o diário assegura que embora Bin Laden não tinha empunhado uma arma quando foi abatido, os comandos que o localizaram em um dos quartos viram que o líder de Al-Qaeda tinha uma ‘AK-47 e uma pistola Makarov ao alcance da mão’.”
Hoje 6 de maio continuam as notícias.
Desde Washington uma das agências informa que apenas um homem disparou contra as forças estadunidenses. A seguir narra que “em plena noite de domingo, vários helicópteros com 79 membros de um comando estadunidense a bordo se aproximam da residência de Osama Bin Laden em  Abbottabad, ao norte de Islamabad. Tinham partido desde um lugar não especificado e voavam baixo para evitar ser detectados por radar, visto que o Paquistão não fora informado da redada.
“- Dois helicópteros descarregam a mais de 20 efetivos Seals da Marinha no recinto da residência, que tem paredes de quatro a seis metros de alto cobertas com arame farpado. Um dos helicópteros, um MH-60 Blackhawk, aparentemente modificado para evitar radares, aterra bruscamente por causa de uma "falha mecânica" e fica fora de uso, conforme um primeiro relatório de funcionários estadunidenses.
“- Um grupo de efetivos se dirige rumo a um prédio anexo à residência principal. O mensageiro de Bin Laden o vê, abre fogo contra os membros do  comando e é abatido junto de sua mulher. Este homem é o único ocupante da  residência que dispara contra os estadunidenses. Esta afirmação contrasta com um primeiro relatório de Washington em que era descrita uma troca de  disparos nos 40 minutos que a operação durou.”
“…outra equipe entra à casa principal de três andares.”
“…topa-se com o irmão do mensageiro que também resulta abatido, segundo um funcionário estadunidense que não deu mais detalhes. Segundo a cadeia de  televisão NBC, o homem tinha uma mão em suas costas quando o comando entrou  ao quarto onde ele se achava. Por isso os efetivos acreditaram que tinha uma arma, ainda que não era o caso.
“- As forças estadunidenses sobem as escadas, e num dos quartos encontram um filho adulto de Bin Laden, Khalid, que também é  abatido…”
“- No último andar, os efetivos encontram Osama Bin Laden e sua esposa no dormitório. Sua esposa tenta se interpor e é ferida em uma perna. Bin Laden não dá sinais de se render e recebe um disparo na cabeça e, de acordo com alguns meios estadunidenses, também no peito. As primeiras versões da redada indicaram que Bin Laden ‘se resistiu’ e que tinha usado  sua mulher como escudo humano, mas esta informação foi desmentida mais tarde pela Casa Branca.
“- O presidente Barack Obama, que acompanhou os acontecimentos desde a Casa Branca, é informado de que o comando identificou Bin Laden. Uma informação da revista Time, baseada em uma entrevista com o diretor da CIA, Leon Panetta, sugere que Bin Laden foi assassinado menos de 25 minutos depois de iniciada a operação.
“- No quarto de Bin Laden, os Navy Seals encontram um fuzil de assalto soviético AK-47 e uma pistola russa de 9 mm. Também encontram outras armas na residência, mas não difundem pormenores. 
“- As forças especiais também encontram dinheiro e números de telefones costurados nas roupas do chefe de Al-Qaeda…”
“- O comando apanha tudo que pode servir como fonte de informação: caderno de notas, cinco computadores, 10 discos rígidos e uma centena de dispositivos  de armazenamento (CD's, DVD's, USB).”
“…trasladam para um lugar seguro uma vintena de mulheres e crianças presentes na residência e depois destroem o helicóptero acidentado.
“…38 minutos após o início da operação, os helicópteros partem com o cadáver de Bin Laden.
A AP publica dados de interesse político e também humanos:
“Uma das três esposas que moravam com Osama Bin Laden disse a seus interrogadores paquistaneses que permaneceu durante cinco anos na moradia onde se escondia o prófugo, e poderia ser uma importante fonte de informação sobre como evitou a captura durante tanto tempo, disse na sexta-feira um funcionário da espionagem paquistanesa.”
“A esposa de Bin Laden, Amal Ahmed Abdullfattah, nascida no Iêmen, disse que nunca abandonou os pisos altos da casa nos 5 anos que residiu nela.

“Ela e as outras duas esposas de Bin Laden estão sendo interrogadas no Paquistão após ter sido detidas no assalto de segunda-feira perpetrado por comandos navais estadunidenses contra a residência de Bin Laden na aldeia de Abotabad. As autoridades paquistanesas mantêm detidas também oito ou nove crianças encontradas na moradia quando se retiraram os comandos.
“Devido aos relatos cambiantes e incompletos dos funcionários estadunidenses sobre o acontecido no assalto, as declarações das esposas de Bin Laden talvez dêem pormenores da operação.
“Além disso, seus relatos poderiam ajudar a ilustrar como passava o tempo Bin Laden e conseguia permanecer oculto numa moradia grande próxima de uma academia militar numa cidade aquartelada, a duas horas e meia de auto da capital, Islamabad.
“O funcionário paquistanês disse que agentes da CIA não tiveram acesso às mulheres detidas.”
“A proximidade do esconderijo de Bin Laden à guarnição militar e à capital paquistanesa levantou suspeitas em Washington de que o fugitivo foi protegido talvez pelas forças de segurança do Paquistão.”
A agência EFE indaga sobre o que pensam os habitantes do Paquistão:

“66 por cento dos paquistaneses não acreditam que as forças especiais dos E.U.A. matassem o líder de Al-Qaeda, Osama Bin Laden, mas outra pessoa, segundo uma sondagem conjunta do instituto demoscópico britânico YouGov e de Polis, da Universidade de Cambridge.
“A sondagem foi realizada entre usuários de internet, que soem ter maior cultura, de três grandes cidades, Karachi, Islamabad e Lahore, com exclusão de grupos demográficos rurais, o que faz com que os resultados sejam mais surpreendentes, segundo os investigadores.

“Além disso, 75 por cento diz desaprovar a violação da soberania paquistanesa pelos E.U.A. na operação para capturar e dar morte a Bin Laden.
“Menos de três quartas partes dos inquiridos não acredita que Bin Laden autorizasse os ataques de 9/11 contra os Estados Unidos, que justificaram a invasão norte-americana do Afeganistão e a luta contra o terrorismo islamista.
“74 por cento opina que o Governo de Washington não respeita o Islã e se considera em guerra com o mundo islâmico e 70 por cento desaprova a política paquistanesa de aceitar ajuda econômica dos E.U.A.
“86 por cento se opõe também a que o Governo paquistanês permita no futuro ou critica que tenha autorizado antes ataques com aviões não pilotados contra grupos militantes.

“61 por cento dos paquistaneses interrogados diz simpatizar com os talibãs ou achar que estes representam pontos de vista respeitáveis face a só 21 por cento que se mostra radicalmente em contra.”
A agência Reuters contribui igualmente com dados interessantes:
“Uma das esposas de Osama Bin Laden disse a seus interrogadores paquistaneses que o líder de Al-Qaeda e sua família moraram durante cinco anos na vila onde ele foi abatido por comandos estadunidenses nesta semana, disse na sexta-feira um funcionário de segurança.
“A fonte, que identificou a mulher como Amal Ahmed Abdulfattah, disse a Reuters que a mais nova das três esposas de Bin Laden resultou ferida no operativo.
“Segundo o funcionário, Abdulfattah disse aos investigadores paquistaneses que ‘Havia cinco anos que morávamos ali’.”
“As forças de segurança paquistanesas detiveram entre 15 e 16 pessoas que moravam no complexo, depois que os comandos estadunidenses se levaram o corpo de Bin Laden, disse o funcionário. Entre os detidos se acham as três esposas de Bin Laden e várias crianças.”
Um avião ianque sem piloto matou hoje não menos de 15 pessoas em Waziristan, ao norte do Paquistão, segundo a agência ANSA. Outras pessoas sofreram feridas graves. Mas, quem vai se encarregar desses assassinatos diários naquele país?
No entanto, faço-me uma pergunta: Porquê tanta coincidência entre o assassinato realizado em Abbottabad e a tentativa de assassinar Khaddhafi simultaneamente?
Um dos filhos mais novos dele, que não se mexia nos assuntos políticos, Saif al Arab, estava reunido na casa onde residia com um filho pequeno e dois primos menores; Khaddhafi e sua esposa o tinham visitado até pouco antes do ataque dos bombardeiros da NATO. A casa foi destruída; morreram Saif al Arab e as três crianças; Khaddhafi e a esposa tinham-se retirado pouco antes. Era um fato sem precedentes. Mas o mundo apenas soube disso.
Foi por acaso uma simples casualidade a coincidência desse fato e o ataque contra o refúgio de Osama Bin Laden, que o Governo dos Estados Unidos conhecia perfeitamente e o vigiava com todos os detalhes?
Hoje uma notícia procedente da Cidade do Vaticano informava:
“Maio 6 (ANSA)- Giovanni Innocenzo Martinelli, o vigário apostólico de Trípoli, disse hoje à agência vaticana Fides que não tem intenção de ‘interferir com a atividade política de ninguém’, mas encara o dever de advertir que os  bombardeamentos a Líbia ‘são imorais’.
“‘Surpreende-me que tenham sido feitas declarações sobre o fato de que deveria me ocupar só de questões espirituais, e que os bombardeamentos fossem autorizados pela ONU. Mas isto não significa que a ONU, a NATO ou a União Europeia tenham a autoridade moral para decidir bombardeamentos, acrescentou.
“‘Gostaria sublinhar -acrescentou- que bombardear não é um ato ditado pela consciência civil e moral de Ocidente, ou mais em geral da humanidade. Bombardear é sempre um ato imoral’.”
Outro telex da agência ANSA informa sobre a posição da China e da Rússia.
“Moscou, Maio 6 -Os governos da China e da Rússia se declararam hoje ‘extremamente preocupados’ pela guerra na Líbia e disseram que agiriam de conjunto para reclamar o cessar-fogo.”
“‘Nossa convicção é que o objetivo mais importante é obter o cessar-fogo imediato’, declarou Yang Jiechi, chanceler chinês”.
Estão acontecendo fatos verdadeiramente preocupantes.
 
 
 
Fidel Castro Ruz
6 de maio de 2011
20h17
3  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - O ASSASSINATO DE OSAMA BIN LADEN em: Maio 07, 2011, 02:10:31
Os que se encarregam desses temas sabem que, em 11 de setembro de 2001, nosso povo ficou solidário com o dos Estados Unidos e ofereceu a modesta cooperação que no campo da saúde podíamos oferecer às vítimas do brutal atentado às Torres Gêmeas de Nova Iorque.
Também oferecemos de imediato as pistas aéreas do nosso país para os aviões norte-americanos que não tivessem onde aterrar, por causa do caos reinante nas primeiras horas após aquele golpe.
É conhecida a posição histórica da Revolução Cubana que sempre se opôs às ações que colocassem em perigo a vida de civis.
Partidários decididos da luta armada contra a tirania de Batista; éramos, no entanto, opostos por princípios a todo ato terrorista que ocasionasse a morte de pessoas inocentes. Tal conduta, mantida ao longo de mais de meio século, outorga-nos o direito de expressar um ponto de vista sobre o delicado tema.
Em um ato público maciço realizado na Cidade Esportiva expressei naquele dia a convicção de que o terrorismo internacional jamais seria resolvido mediante a violência e a guerra.
Na verdade, ele foi durante anos amigo dos Estados Unidos que o treinou militarmente, e foi adversário da URSS e do socialismo, mas quaisquer que fossem os atos atribuídos a Bin Laden, o assassinato de um ser humano desarmado e rodeado de familiares constitui um fato aborrecível. Aparentemente foi isso o que fez o governo da nação mais poderosa que jamais existiu.
O discurso elaborado com esmero por Obama para anunciar a morte de Bin Laden afirma: “…sabemos que as piores imagens são aquelas que foram invisíveis para o mundo. O assento vazio na mesa. As crianças que foram forçadas a crescerem sem sua mãe ou seu pai. Os pais que nunca voltarão a sentir o abraço de um filho. Cerca de 3 000 cidadãos marcharam longe de nós, deixando um enorme buraco em nossos corações”.
Esse parágrafo encerra uma dramática verdade, mas não pode impedir que as pessoas honestas se lembrem das guerras injustas desatadas pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão, das centenas de milhares de crianças que foram obrigadas a crescerem sem sua mãe ou seu pai, e aos pais que nunca voltariam a sentir o abraço de um filho.
Milhões de cidadãos marcharam longe de seus povos no Iraque, no Afeganistão, no Vietnã, Laos, no Camboja, Cuba e noutros muitos países do mundo.
Da mente de centenas de milhões de pessoas também não se apagaram as horríveis imagens de seres humanos que em Guantánamo, território ocupado de Cuba, desfilam silenciosamente submetidos durante meses e inclusive anos a insofríveis e enlouquecedoras torturas; são pessoas seqüestradas e transportadas a cárceres secretos com a cumplicidade hipócrita de sociedades supostamente civilizadas.
Obama não tem forma de ocultar que Osama foi executado na presença dos seus filos e esposas, agora em poder das autoridades do Paquistão, um país muçulmano de quase 200 milhões de habitantes, cujas leis têm sido violadas, sua dignidade nacional ofendida, e suas tradições religiosas ultrajadas.
Como impedirá agora que as mulheres e os filos da pessoa executada sem Lei nem julgamento expliquem o acontecido, e as imagens sejam transmitidas ao mundo?
Em 28 de janeiro de 2002, o jornalista da CBS Dan Rather, difundiu por essa emissora de televisão que a 10 de setembro de 2001, um dia antes dos atentados ao World Trade Center e ao Pentágono, Osama Bin Laden foi submetido a uma diálise do rim em um hospital militar do Paquistão. Não estava em condições de ocultar-se e proteger-se em profundas cavernas.
Assassiná-lo e enviá-lo às profundezas do mar demonstra temor e insegurança, tornam-no em uma personagem muito mais perigosa.
A própria opinião pública dos Estados Unidos, após a euforia inicial, terminará criticando os métodos que, em vez de proteger os cidadãos, terminam multiplicando os sentimentos de ódio e vingança contra eles.
 
 
Fidel Castro Ruz
4 de maio de 2011
20h34.
4  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - O NORTE REMEXIDO E BRUTAL em: Abril 29, 2011, 08:40:56
Estava lendo materiais e livros em abundância para cumprir minha promessa de continuar a Reflexão de 14 de abril sobre a Batalha de Girón, quando deitei uma olhada nas notícias frescas de ontem, que são abundantes como todos os dias. Podem-se acumular montanhas em qualquer semana, que ao desde o terremoto no Japão, até a vitória de Ollanta Humala sobre Keiko, filha de Alberto Fujimori, ex presidente do Peru.
 
Peru é grande exportador de prata, cobre, zinco, estanho e outros minerais; possui grandes jazimentos de urânio que poderosas transnacionais aspiram a explorar. Do urânio enriquecido saem as armas mais terríveis que a humanidade conheceu, e o combustível das usinas termonucleares que, apesar das advertências dos ecologistas, estavam sendo construídas a ritmo acelerado nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.
 
Não seria justo, é claro, culpar o Peru disto. Os peruanos não criaram o colonialismo, o capitalismo e o imperialismo. Também não se pode culpar o povo dos Estados Unidos, que também é vítima do sistema que tem engendrado ali os políticos mais atordoados que o planeta tem conhecido.
 
No passado 8 de abril os amos do mundo publicaram seu acostumado relatório anual sobre as violações dos “direitos humanos”, que motivou uma aguda análise no sítio Web Rebelión, subscrito pelo cubano Manuel E. Yepe, baseado na resposta do Conselho de Estado da China, enumerando fatos que demonstram a desastrosa situação de tais direitos nos Estados Unidos.
 
“…Estados Unidos é o país onde mais se agridem os direitos humanos, tanto em seu próprio país quanto no mundo todo, e é uma das nações que menos garante a vida, a propriedade e a segurança pessoal dos seus habitantes.
 
“Cada ano, uma de cada 5 pessoas é vítima de um crime, a taxa mais alta do planeta. Segundo cifras oficiais, as pessoas maiores de 12 anos sofreram 4,3 milhões de atos violentos.
 
“A delinqüência cresceu alarmantemente nas quatro maiores cidades do país (Filadélfia, Chicago, Los Angeles e Nova Iorque) e se registraram incrementos notáveis relativamente ao ano anterior em outras grandes urbes (San Luis e Detroit).
 
“O Tribunal Supremo proferiu que a posse de armas para a defesa pessoal é um direito constitucional que não pode ser ignorado pelos governos estaduais. Noventa dos 300 milhões de habitantes do país possuem 200 milhões de armas de fogo.
 
“No país se registraram 12.000 homicídios causados por armas de fogo, ao passo que 47 por cento dos roubos foram cometidos igualmente com uso de armas de fogo.
 
“Ao abrigo da seção de "atividades terroristas" da Ata Patriótica, a tortura e a extrema violência para obter confissões de suspeitos são práticas comuns. As condenações injustas ficam evidenciadas nas 266 pessoas, 17 delas já no corredor da morte, que têm sido absolvidas graças a provas de ADN.
 
“Washington advoga pela liberdade na Internet para fazer da rede de redes uma importante ferramenta diplomática de pressão e hegemonia, mas impõe estritas restrições no ciberespaço em seu próprio território e tenta estabelecer um cerco legal para lidar com o desafio que representa Wikileaks e suas filtrações.
 
“Com uma alta taxa do desemprego, a proporção de cidadãos estadunidenses que vive na pobreza atingiu um nível recorde; um de cada oito cidadãos que participou no passado ano nos programas de cupões para alimentos.
 
“O número de famílias acolhidas em centros para desamparados aumentou 7 por cento e as famílias tiveram que permanecer mais tempo nos centros de acolhimento. Os delitos violentos contra estas famílias sem teto aumentam sem cessar.
 
“A discriminação racial permeia cada aspecto da vida social. Os grupos minoritários são discriminados em seus empregos, tratados de maneira indigna e não são tidos em conta para ascensos, benefícios ou processos de seleção laboral. Um terço dos negros sofreu discriminação em seus lugares de trabalho embora só 16% se atrevesse a passar queixa.
 
“A taxa de desemprego entre os brancos é de 16,2 %, entre hispanos e asiáticos de 22 %, e entre os negros é de 33 %. Os afro-americanos e os latinos representam 41 por cento da população carcerária. A taxa de afro-americanos cumprindo cadeia perpétua é 11 vezes mais alta do que a de brancos.
 
“Das mulheres, 90 por cento delas tem sofrido discriminação sexual de algum tipo em seu local de trabalho. Vinte milhões de mulheres são vítimas de estupro, quase 60 000 presas têm sofrido agressão sexual ou violência. Uma quinta parte das estudantes universitárias são agredidas sexualmente e 60 por cento das violações em campus universitários acontece nos dormitórios femininos.
 
“Nove de cada dez estudantes homossexuais, bissexuais ou transexuais sofrem de acossamento no centro escolar.
 
“O relatório dedica um capítulo a lembrar das violações dos direitos humanos de que é responsável o governo dos Estados Unidos fora de suas fronteiras. As guerras do Iraque e do Afeganistão, dirigidas pelos E.U.A., têm causado cifras exorbitantes de vítimas entre a população civil desses países.
 
“As ações ‘antiterroristas’ dos E.U.A. têm incluído graves escândalos de abuso a prisioneiros, detenções indefinidas sem cargos ou julgamentos em centros de detenção como o de Guantánamo e outros lugares do mundo, criados para interrogar os denominados ‘presos de grande valor elevado’ onde se aplicam as piores torturas.
 
“Também o documento chinês lembra que os E.U.A. têm violado o direito a existir e desenvolver-se à população cubana sem acatar a vontade mundial expressada pela Assembléia-geral da ONU durante 19 anos consecutivos sobre ‘A necessidade de pôr término ao bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba’.
 
“E.U.A. não tem ratificado convenções internacionais sobre os direitos humanos como o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais; a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas da Discriminação contra a Mulher; a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências e a Convenção sobre os Direitos das Crianças.
 
“Os dados que fornece a recontagem apresentada pelo governo chinês demonstram que o funesto histórico dos E.U.A. neste terreno o desqualificam como ‘juiz dos direitos humanos no mundo’. Sua ‘diplomacia dos direitos humanos’ é pura hipocrisia de dupla rasoura ao serviço de seus interesses imperiais estratégicos. O governo chinês aconselha o governo dos E.U.A. que tome medidas concretas para melhorar sua própria situação em direitos humanos, que examine e rectifique suas atividades nesse terreno e pare com seus atos hegemônicos consistentes em utilizar os direitos humanos para interferir nos assuntos internos de outros países.”
 
O importante desta análise, em nossa opinião, é que seja feita tal denúncia num documento subscrito pelo Estado chinês, um país de 1 341 milhões de cidadãos, que possui 2 milhões de milhões de dólares em suas reservas monetárias, sem cuja cooperação comercial o império se afunda. Acho importante que nosso povo conheça dos dados precisos contidos no documento do Conselho de Estado chinês.
 
Se Cuba o dissesse, careceria de importância; levamos mais de 50 anos denunciando esses hipócritas.
 
Martí dissera há 116 anos, em 1895: “…o caminho que se há de fechar, e com nosso sangue estamos fechando, da anexação dos povos da nossa América, ao Norte remexido e brutal que os despreza…”
 
“Vivi no monstro, e conheço suas entranhas”.
 
     
Fidel Castro Ruz
23 de abril de 2011
19h32
5  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel: OS DOIS TERREMOTOS em: Março 14, 2011, 06:51:28
Um forte terremoto de magnitude 8,9 estremeceu hoje o Japão. O mais preocupante é que as primeiras notícias falavam de milhares de mortos e desaparecidos, cifras realmente inusitadas num país desenvolvido onde tudo é construído a prova de sismos. Inclusive, falava-se de um reator nuclear fora de controle. Horas depois se informou que as quatro plantas nucleares próximas à zona mais afetada estavam controladas. Igualmente se informava de um tsunami de 10 metros de altura que provocou alerta de maremoto em todo o Pacífico.
 
O sismo se originou a 24,4 quilômetros de profundidade e a 100 quilômetros da costa. Se tivesse acontecido a menos profundidade e distância, as conseqüências teriam sido mais graves.
 
Houve um deslocamento do eixo do planeta. Era o terceiro fenômeno de grande intensidade que se produzia em menos de dois anos: no Haiti, no Chile e no Japão. O homem não pode ser culpado de tais tragédias. Cada país, com certeza, fará aquilo que estiver a seu alcance para ajudar esse laborioso povo que foi o primeiro em sofrer um desnecessário e desumano ataque nuclear.
 
Segundo o Colégio Oficial de Geólogos da Espanha, a energia libertada pelo sismo equivale a 200 milhões de toneladas de dinamita.
 
Uma informação de última hora, transmitida pela AFP, expressa que a companhia elétrica japonesa Tokyo Electric Power comunicou que: “De acordo com as instruções governamentais, temos liberado parte do vapor que contém substâncias radioativas…”
 
“Acompanhamos a situação. Até o momento não há problema…”
 
“Também se noticiavam desarranjos relacionados com o esfriamento em três reatores de uma segunda usina próxima, Fukushima 2.
 
 “O Governo ordenou a evacuação das zonas circundantes num rádio de 10 km no caso da primeira usina e de 3 km no caso da segunda.”
 
Outro terremoto, de caráter político, potencialmente mais grave, é o que acontece ao redor da Líbia, e afeta de um modo ou outro todos os países.
 
O drama que vive esse país está em pleno auge, e seu desfecho é ainda incerto.
 
Um grande corre-corre se desatou ontem no Senado dos Estados Unidos quando James Clapper, Diretor Nacional de Inteligência, afirmou no Comitê de Serviços Armados: “Não acho que Khaddhafi tenha intenção alguma de ir embora. Pelas evidências de que dispomos, parece que se está instalando em um processo de longa duração”.
 
Acrescentou que Khaddhafi conta com duas brigadas que “são muito leais”.
 
Assinalou que “os ataques aéreos do Exército fiel a Khaddhafi têm prejudicado ‘principalmente’ prédios e infra-estrutura, mais do que causar baixas entre a população”.
 
O tenente-general Ronald Burgess, diretor da Agência de Inteligência de Defesa, na mesma audiência perante o Senado disse: “Khaddhafi parece que ‘vai continuar no poder, a não ser que outra dinâmica mude o momento atual’.”
 
“A oportunidade que os rebeldes tiveram ao começo do levantamento popular tem ‘começado a mudar”, garantiu.
 
Não albergo dúvida alguma de que Khaddhafi e a direção líbia cometeram um erro ao confiar em Bush e na NATO, como se pode deduzir do que escrevi na Reflexão do dia 9.
 
Também não duvido das intenções dos Estados Unidos e da NATO de intervir militarmente na Líbia e abortar a onda revolucionária que abala o mundo árabe.
 
Os povos que se opõem à intervenção da NATO e defendem a idéia de uma solução política sem intervenção estrangeira, albergam a convicção de que os patriotas líbios defenderão sua Pátria até o último alento.
 
 
 
Fidel Castro Ruz
11 de março de 2011
22h12
6  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - O DISCURSO DE OBAMA EM ARIZONA em: Janeiro 16, 2011, 02:59:05
Ontem (12 de Janeiro) o escutei quando falou na Universidade de Tucson, onde se prestava homenagem às 6 pessoas assassinadas e às 14 feridas na matança de Arizona, de maneira especial à congressista democrata desse Estado, gravemente ferida por um disparo na cabeça.
O fato foi realizado por uma pessoa desequilibrada, intoxicada pela prédica de ódio que impera na sociedade norte-americana, onde o grupo fascista do Tea Party impôs o seu extremismo ao Partido Republicano que, sob a égide de George W. Bush levou o mundo onde hoje se encontra, à beira do abismo.
Ao desastre das guerras somou-se a maior crise econômica na história dos Estados Unidos e uma dívida do governo, que equivale já a 100% do Produto Interno Bruto, o que se une a um déficit mensal que ultrapassa 80 bilhões de dólares e novamente o incremento das casas que se perdem por dívidas hipotecárias. O preço do petróleo, dos metais e dos alimentos incrementa-se progressivamente. A desconfiança no papel moeda incrementa as compras de ouro, e não poucos predizem que no final do ano o preço deste metal precioso elevar-se-á a 2 000 dólares a onça troy. Algumas pessoas consideram que inclusive chegará a 2 500 dólares.
Os fenômenos climáticos agravaram-se, com perdas consideráveis nas colheitas da Federação da Rússia, da Europa, da China, da Austrália, da América do Norte e do Sul e de outras áreas, colocando em perigo os fornecimentos de alimentos de mais de 80 países do Terceiro Mundo, criando instabilidade política em um número crescente deles.
O mundo encara tantos problemas de caráter político, militar, energético, alimentar e meio ambiental, que nenhum país deseja o regresso dos Estados Unidos ocupando posições extremistas que incrementariam os riscos de uma guerra nuclear.
Foi quase unânime a condena internacional contra o crime de Arizona, no qual se observava uma expressão desse extremismo. Do Presidente dos Estados Unidos não se esperava um discurso exaltado nem confrontativo, que não se corresponderia com seu estilo nem com as circunstâncias internas e o clima de ódio irracional que está prevalecendo nos Estados Unidos.
As vítimas do atentado foram inquestionavelmente corajosas, com méritos individuais, e, em geral, cidadãos humildes; caso contrário, eles não teriam estado lá, defendendo o direito à assistência médica de todos os norte-americanos e exprimindo a sua oposição às leis contra os imigrantes.
A mãe da menina que nasceu no dia 11 de setembro, tinha declarado valentemente que o ódio imperante no mundo devia cessar. Da minha parte, não tenho nenhuma duvida de que as vítimas serão credoras do reconhecimento do Presidente dos Estados Unidos, bem como dos cidadãos de Tucson, dos estudantes da Universidade e dos médicos, que como sempre quando acontecem fatos deste tipo exprimem sem reservas a solidariedade que os seres humanos têm dentro de si. A congressista gravemente ferida, Gabrielle Giffords, é merecedora do reconhecimento nacional e internacional que lhe foi oferecido. A equipe médica continuava hoje informando notícias positivas sobre sua evolução.
Contudo, no discurso de Obama não houve uma condena moral contra a política que inspirou essa ação.
Eu tentava imaginar como é que tivessem agido homens como Franklin Delano Roosevelt perante um fato similar, para não mencionar Lincoln, que não duvidou em proferir o seu famoso discurso em Gettysburg. Que outro momento espera o Presidente dos Estados Unidos para exprimir o critério que, com certeza, compartilha a grande maioria do povo dos Estados Unidos?
Não se trata de que falte uma personalidade excepcional para chefiar o governo dos Estados Unidos. O que faz com que um Presidente vire uma figura histórica, que foi capaz de chegar por seus méritos a esse cargo não é a pessoa, mas sim a necessidade dele num determinado momento da história de seu país.
Ontem, quando ele começou seu discurso estava tenso e dependia muito das páginas escritas. Logo recobrou a serenidade, o domínio habitual do cenário e a palavra precisa para exprimir as suas idéias. O que ele não disse foi porque não  quis dizê-lo.
Como peça literária e elogio justo aos que o mereciam, pode outorgar-se-lhe um prêmio.
Como discurso político deixou muito a desejar.
 
Fidel Castro Ruz
13 de janeiro de 2011
19h38
7  Outros / Carta do leitor / Reflexões do Comandante-em-Chefe - O G-20, A APEC E A EXTREMA-UNÇÃO DA CREDIBIL em: Novembro 24, 2010, 12:27:28
Quando um doente está muito grave, de acordo com a prática da Igreja Católica, após a confissão vem a extrema-unção. Isso é o que tem acontecido com a credibilidade dos Estados Unidos nas reuniões, quase simultâneas do G-20 e da APEC. A partir disso, não se sabe o que é que virá. Talvez procedam a dar-lhe cristã sepultura ou a incinerar os restos da absurda ilusão de que seja possível manter um sistema social incompatível com a vida da humanidade, cujos membros hoje, 14 de novembro de 2010, segundo cálculos rigorosos de caráter internacional, totalizam já 6 884 milhões 307 685 habitantes. A cifra de pessoas que habitam o planeta está aumentando algo mais de 77 milhões anualmente.
Quando examinava a lista de países membros da APEC observava que é chefiada pelos Estados Unidos e pelo Japão, duas das nações mais ricas do mundo; a seguir apareciam o Canadá, a Austrália, a Cingapura e a Coréia do Sul, consideravelmente industrializadas; inclui a Rússia, um Estado poderoso, com importantes recursos naturais, científicos e técnicos, a eles soma-se um grupo dos países emergentes mais importantes, como a China, a Indonésia e outros do Sudeste Asiático banhados pelas águas do Pacífico, atingindo assim os 21 países que se reuniram no Japão nos dias 13 e 14, quase simultaneamente com o G-20, nove deles tinham participado na reunião de Seul para discutirem os problemas mais importantes. Todos os países de ambos os Foros são capitalistas, salvo a China e o Vietnã, aos quais os Estados Unidos tentaram impedir a qualquer custo sua transformação revolucionária.
Na lista de membros da APEC aparece um Estado muito pobre que não tem nada em comum com o resto dos 20 países: a Papua Nova Guiné. Procurei dados sobre esse país, situado no extremo norte do continente australiano. Até sua atual capital Port Moresby tinha chegado MacArthur no ano 1942, bem longe dos japoneses, depois que eles invadiram e ocuparam a principal base norte-americana de sua colônia nas Filipinas, localizada em Luzón, a poucas milhas de Manila.
O que é que se sabe sobre o país incluído no número 17 da lista da APEC? Sabe-se que os seus primeiros habitantes chegaram lá há 45 ou 50 mil anos procedentes do sudeste asiático, no período glacial plistoceno; eram caçadores e recolhedores. Uma segunda onda de migrantes chegou mais de mil anos depois, aproximadamente 3 500 anos antes de Cristo, e foram portadores de uma cultura mais avançada, os que praticavam a horticultura e a pesca, conheciam de navegação e dominavam a elaboração do barro na mesma época que este se desenvolvia na Babilônia.
Os europeus chegaram à Polinésia, tanto pelo Este quanto pelo Oeste; cinco mil anos mais tarde: espanhóis, portugueses, ingleses e holandeses impuseram a colonização baseada nas armas de fogo e nas espadas de ferro; conquistaram os territórios, os seus recursos e escravizaram seus habitantes.
Ainda admitindo que contribuíssem com conhecimentos e avanços de sociedades com maior desenvolvimento cultural do que algumas comunidades humanas que habitavam os territórios isolados banhados e separados pelas águas do Pacífico; no entanto, em grande parte da Ásia e do Oriente Médio existiam civilizações muito mais avançadas que a Europa daquela época. Os conquistadores impuseram a força de suas armas em territórios como a China, a Índia e o Oriente Médio, que foram o berço de civilizações milenares, quando a Europa era território disputado pelas tribos bárbaras.
As potências coloniais dignaram-se conceder a independência a Papua Nova Guiné no mês de setembro de 1975.
Segundo o censo do ano 2000, a população de Papua Nova Guiné atingiu a cifra de 5 milhões 190 mil 800 habitantes, o seu território tem uma extensão de 462 840 quilômetros quadrados.
Apesar de seus enormes recursos naturais: o petróleo, o cobre e o ouro, que constituem 80 por cento de suas exportações, a Papua Nova Guiné é o país do mundo que tem a menor esperança de vida ao nascer. A sua abundante riqueza pesqueira é explorada por empresas estrangeiras e está sendo muito afetada pelas mudanças climáticas das correntes marinhas do Pacífico. Entre os anos 1995 e 1997 a produção de café, de cacau, de chá, de açúcar e de coco diminuir consideravelmente como resultado das secas.
É o país com maior número de idiomas, atingindo a cifra de 820, o que equivale a 12% dos 7 536 idiomas que, segundo os especialistas, existem no mundo. Muitas aldeias têm a sua própria língua.
Não longe dali se encontra a República Democrática do Timor Leste, de dramática e heróica história. Foi conquistada pelos portugueses em 1512, junto da Guiné-Bissau, das ilhas de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe, da Angola e do Moçambique, colônias portuguesas que durante séculos tiveram a mesma sorte, mais em nenhuma outra colônia o seu destino foi mais sofrido.
Quando a Revolução dos Cravos no ano 1974 deu cabo da tirania de Salazar em Portugal, membro da NATO e aliado estreito dos Estados Unidos, a Frente Revolucionária do Timor Leste proclamou a independência no dia 29 de novembro de 1975. Mas, apenas pôde desfrutá-la nove dias. No dia 7 de dezembro desse próprio ano, a tirania sangrenta de Suharto – que em cumplicidade com a CIA tinha derrocado o Governo Constitucional de Sukarno na Indonésia, assassinando centenas de milhares de comunistas e de militantes progressistas – enviou, com a aprovação prévia dos Estados Unidos, uma expedição com forças do exército indonésio para invadirem Timor Leste. Após 27 anos de luta, o povo desse país, sob a liderança da FRETILIN, voltou a instaurar um Governo Constitucional em Timor.
Não preciso explicar os estreitos vínculos históricos que existem entre o nosso país e as antigas colônias portuguesas; nossos combates contra as tropas da apartheid – a quem o governo de Reagan forneceu armas nucleares estratégicas—lhe concedem a nosso país autoridade moral para opinar sobre as decisões da APEC quando o governo dos Estados Unidos impõe medidas que afetam os interesses de todos os países, incluídos os outros membros dessa instituição.
Os Estados Unidos tentam impor à China a revalorização do yuan (renminbi, a divisa chinesa), sem levar em conta que desde que a China iniciou sua política administrada do yuan no mês de julho de 2005 foi revalorizado de 8, 28 yuanes por dólar naquela época, e hoje essa relação é de menos de 6,70 yuanes por dólar.
Segundo um artigo publicado pelo jornal Financial Times no dia 6 de outubro do presente ano, o Primeiro Ministro chinês declarou durante uma visita a Bruxelas que a revalorização do yuan já estava sendo realizada, mas que a China rejeitava oferecer garantias no que se refere à rapidez com seria executado este processo, e advertiu firmemente: "Não nos pressionem sobre a taxa de câmbio do renminbi”. Explicou que uma ação precipitada sobre este tema podia levar à falência a numerosas empresas chinesas que produzem para a exportação, criando graves conseqüências para sua economia, e concluía: “Se a China sofrer uma turbulência econômica e social, isso seria um desastre para o mundo”.
É claro que todos os países do Terceiro Mundo que têm na China um mercado seguro para suas exportações – destinadas a satisfazer as necessidades de uma população que no último censo do ano 2008 atingiu a cifra de 1 324 milhões 655 000 habitantes, quase um bilhão mais do que a população dos Estados Unidos, e uma economia que cresce a um ritmo médio não menor de 10% anual-, conseguiriam menos produtos por suas exportações para esse país e, pela sua vez, todas as que sejam exportadas para o resto do mundo, pagáveis em dólares,  obteriam  um papel moeda que vale cada vez menos.
Oitenta por cento das exportações dos Estados Unidos são serviços: os da chamada indústria de recreação e outros muitos que não satisfazem as necessidades fundamentais de nossos povos, urgidos pelas necessidades do desenvolvimento e pelos serviços vitais para a sociedade.
Num artigo publicado na Internet intitulado “Ocidente aprimora suas técnicas para agredir a China”, André Vitchek, entre outros aspectos de interesse expõe:
“As tácticas utilizadas em outra época (começar desacreditando para mais tarde tentar destruir todo governo comunista e socialista, progressista e nacionalista como a União Soviética, Cuba, a Nicarágua, a Coréia do Norte, o Chile, a Tanzânia e recentemente a Venezuela) ainda são consideradas válidas. Inclusive foram melhoradas com a passagem do tempo e com mais meios no que se refere ao pessoal e à tecnologia [...] Depois de tudo, o objetivo que o Ocidente e sua ditadura global colocaram-se é grande: A China, o país mais povoado do planeta. O fato de que a China seja um Estado historicamente pacífico e tenha conseguido sucesso em muitas áreas faz com que a tarefa seja ainda mais difícil. [...] Ocidente está (indiretamente) envolvido nas massacres do Congo/República Democrática do Congo (pelo menos a cifra de mortos atinge cinco milhões), na desestabilização do Chifre da África e de algumas zonas da América Latina, bem como na agressão contra o Iraque e contra o Afeganistão, por apenas citar algumas de suas macabras aventuras.”
“'As pessoas observam com seus próprios olhos o que a China está fazendo', explica M. Mghanga, ex deputado da Quênia e membro da Comissão de Defesa e das Relações Internacionais, poeta e preso político sob o regime brutal pró-ocidental do ex ditador Moi. 'Se você viajar através do país poderá ver chineses construindo estradas ou prédios, estádios e andares; uns projetos excelentes. Aliás, são muito cooperantes apesar da propaganda difundida por Ocidente. Na verdade, as pessoas observam o que a China está fazendo e o reconhecem. Mas, sobre o governo da Quênia é exercida uma grande pressão para que cesse sua cooperação com a China. De fato, existe uma grande hostilidade contra a Quênia. Ocidente nos castiga por causa de nossas relações estreitas com a República Popular da China. '”
A Cúpula anual da APEC começou ontem em Yokohama.
Dentro da APEC funcionam pequenos foros como o Acordo de Associação Transpacífico (TTP), de livre comércio, limitado apenas para o Brunei, o Chile, a Nova Zelândia e a Cingapura ao qual desejam somar-se os Estados Unidos, a Austrália, o Peru, a Malásia e o Vietnã. Em resumo, tudo o que sirva para vender algo: mercado, mercado, mercado.
Obama, como rei mago, anda repartindo vagas no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como se este fosse de sua propriedade. Segundo as agências européias de notícias... “ele indicou este sábado que o Japão é o modelo de país que deveria ocupar uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas...” já antes, no hemiciclo parlamentar de Nova Délhi , tinha dito que seu governo “vai apoiar a eventual entrada da Índia no Conselho de Segurança das Nações Unidas". O Paquistão, é claro, queixou-se amargamente dessa promessa ianque. O que ele não disse é se essas vagas são com ou sem direito a veto, como se esse privilégio antidemocrático estivesse destinado a ser eterno.
Igualmente se ignora se tão generoso oferecimento foi feito também a Lula, apesar de que mais de 500 milhões de latino-americanos  e quase um bilhão de africanos não têm representação permanente nesse Conselho. Quanto tempo ele acredita que é possível manipular o mundo dessa forma? Mas, talvez eu me equivoque e subestime Obama, se este, em sua euforia decide oferecer a todos os aspirantes o apoio dos Estados Unidos.
Naturalmente, as reuniões do G-20 e da APEC tiveram um final feliz, como nos filmes de faroeste feitos no Holliwood, como os que assistíamos quando éramos colegiais. O blá, blá, blá, conseguiu o Oscar, “Visão de Yokohama" como foi qualificada pelo Primeiro Ministro do Japão na Declaração Final da Cúpula da APEC.
Não obstante, o Presidente chinês Hu Jintao, segundo uma informação divulgada por uma agência norte-americana de notícias, mais séria, declarou: “'A recuperação não é sólida e os déficits provocam uma grande incerteza' [...] 'A situação do emprego nos países desenvolvidos é sombria e os mercados emergentes encaram pressões inflacionárias e bolhas de preços de ativos'.”
Outra agência européia, que geralmente é objetiva indicou: "O presidente chinês, Hu Jintao, disse que seu país não aceitará pressões externas para mudar de política."
Obama concluiu a sua visita à Ásia depois da reunião com “uma visita à estatua do Grande Buda de Karamakura – fundida em bronze – de 13 metros de alto e 93 toneladas, construída no ano 1252 e que retrata o Buda Amida, sentado em posição de lótus com as mãos em gesto de meditação.”
Por seu lado, o chefe das Forças Armadas Britânicas, o general David Richards disse que Al-Qaeda - assim qualifica erradamente à resistência afegã, verdadeira artífice da luta contra a NATO, que nada tem a ver com as forças que criou a CIA para lutar contra as tropas soviéticas – não pode ser derrotada “e que o Reino Unido deve estar pronto para enfrentar a ameaça de atentados islamitas, pelo menos, durante os próximos 30 anos.”
“Numa entrevista concedida ao jornal britânico The Sunday Telegraph, o general Richards declarou que o seu país deveria focalizar-se em controlar a ameaça sobre seus próprios cidadãos, uma tarefa que, disse, podia ser cumprida, em vez de tentar derrotar a militância islamita.
“'Na guerra convencional, a vitória e a derrota são claras e estão simbolizadas nas tropas marchando pela capital de outra nação (inimiga)', afirmou o chefe do Estado Maior britânico.
“Primeiramente devemos perguntar-nos: precisamos vencê-la (a militância islâmica) com uma clara vitória? Acho que é desnecessário e nunca será conseguido'.
“'Podemos controlá-la até o ponto em que as nossas vidas e as vidas de nossos filhos sejam seguras? ' perguntou-se Richards.
“'Acho que podemos', afirmou o militar.'”
“Segundo Richards, as armas reais na guerra contra Al-Qaeda são a educação e a democracia.”
“Aliás, disse que o exército e o governo britânicos são 'culpados de não compreenderem totalmente o que estava em jogo' no Afeganistão e admitiu que os afegãos estão começando a 'se cansar' da incapacidade da NATO para cumprir as suas promessas.”
“De acordo com o jornalista da BBC Frank Gardner, os comentários do general Richards refletem um 'novo realismo' nos círculos antiterroristas do Reino Unido e dos Estados Unidos.
“Gardner assegura que se Richards tivesse dito estas palavras há cinco anos, elas houvessem sido consideradas escandalosas e derrotistas.”
 "Razões de sobra tem Obama para visitar a estátua do Grande Buda de Kamakura, agora que a direita fascista ganha terreno rapidamente na Europa das correntes reformistas, inclusive na Suécia, e na sociedade de consumo ianque muitas pessoas ignoram quase tudo, e acreditam que justiça social, saúde, educação, solidariedade e paz são coisas de comunistas. Einstein, que desejava que os Estados Unidos antifascistas de Franklin D. Roosevelt tivessem a bomba atômica antes que esta fosse desenvolvida pela Alemanha nazista, jamais pôde sequer imaginar que várias dezenas de anos depois o perigo consistiria em que uma extrema direita fascista se apoderaria do Governo dos Estados Unidos".
 
Fidel Castro Ruz
14 de novembro de 2010
19h58
 
8  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - A NATO, GENDARME MUNDIAL em: Novembro 24, 2010, 12:26:52
Muitas pessoas sentem náuseas ao escutar o nome dessa organização.
Na sexta-feira 19 de novembro de 2010 em Lisboa, Portugual, os 28 membros dessa belicosa instituição, engendrada pelos Estados Unidos, decidiram criar o que com cinismo qualificam de “a nova NATO”.
Ela surgiu despois da segunda Guerra Mundial como instrumento da Guerra Fria desencadeada pelo imperialismo contra a União Soviética, o país que pagou com dezenas de milhões de vidas e uma colossal destruição a vitória sobre o nazismo.
Contra a URSS, os Estados Unidos mobilizaram, junto a uma parte sadia da população européia, à extrema direita e toda a escória nazifascista da Europa, cheia de ódio e disposta a tirar proveito dos erros cometidos pelos próprios dirigentes da URSS, depois de morte de Lênin.
O povo soviético, com enormes sacrifícios, foi capaz de manter a paridade nuclear e apoiar a luta de libertação nacional de numerosos povos contra os esforços dos Estados europeus por manter o sistema colonial imposto pela força durante séculos; Estados que no pós-guerra se aliaram ao império ianque, quem assumiu o comando da contra-revolução no mundo.
Em apenas 10 dias — menos de duas semanas —, a opinião mundial recebeu três grandes e inesquecíveis lições: o G-20, a APEC e a NATO, em Seul, Yokohama e Lisboa, de modo que todas as pessoas honestas que saibam ler e escrever, e cujas mentes não tenham sido mutiladas pelos reflexos condicionados do aparato midiático do imperialismo, possam ter uma idéia real dos problemas que afetam hoje a humanidade.
Em Lisboa não foi dita uma palavra que fosse capaz de transmitir esperanças a bilhões de pessoas que sofrem a pobreza, o subdesenvolvimento, a deficiência alimentar, a falta de habitação, saúde, educação e emprego.
Pelo contrário, o vaidoso personagem que figura como chefe da máfia militar da NATO, Anders Fogh Rasmussen declarou, em tom de pequeno führer nazista, que o “novo conceito estratégico” era para “atuar em qualquer lugar do mundo”. Não foi sem razão que o governo da Turquia esteve a ponto de vetar sua designação quando Fogh Rasmussen — neoliberal dinamarquês —, como Primeiro-Ministro da Dinamarca, usando o pretexto da liberdade de imprensa, defendeu em abril de 2009 os autores de graves ofensas ao profeta Maomé, uma figura respeitada por todos os crentes muçulmanos.
Não poucos no mundo lembram as estreitas relações de cooperação entre o Governo da Dinamarca e os “invasores” nazistas durante a Segunda Guerrra Mundial.
A NATO, ave de rapina chocada nas saias do império ianque, dotada inclusive de armas nucleares táticas que podem ser até várias vezes mais destrutivas do que a que fez com que desaparecesse a cidade de Hiroshima, está comprometida pelos Estados Unidos na guerra criminosa do Afeganistão, mais complexa ainda do que a aventura de Kossovo e a guerra contra a Sérvia, onde a cidade de Belgrado foi massacrada e estiveram a ponto de sofrer um desastre se o governo de aquele país se tivesse mantido firme, em vez de confiar nas instituições de justiça européia em Haia.
A inglória declaração de Lisboa, em um de seus pontos afirma de forma vaga e abstrata:
“Apoio à estabilidade regional, aos valores democráticos, à segurança e à integração no espaço euro-atlântico nos Bálcãs.”
“A missão em Kossovo é orientada a uma presença menor e mais flexível.”
Agora?
Tampouco a Rússia poderá esquecer tão facilmente: o fato real é que quando Yeltsin desintegrou a URSS, os Estados Unidos avançaram as fronteiras da NATO e suas bases de ataque nuclear para o coração da Rússia desde a Europa e a Ásia.
Essas novas instalações militares ameaçavam também a República Popular da China e outros países asiáticos.
Quando aconteceu aquilo em 1991, centenas de SS-19, SS-20 e outras poderosas armas soviéticas podiam alcançar em questão de minutos as bases militares dos Estados Unidos e da NATO na Europa. Nenhum Secretário Geral da NATO se teria atrevido a falar com a arrogância de Rasmussen.
O primeiro acordo sobre limitação de armas nucleares foi assinado em data tão anticipada como o 26 de maio de 1972, pelo presidente dos Estados Unidos Richard Nixon e pelo Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética, Leonid Brezhnev, com o objetivo de limitar o número de mísseis antibalísticos (Tratado ABM) e defender alguns pontos contra mísseis com carga nuclear.
Em 1979 Brezhnev e Carter assinaram em Viena novos acordos conhecidos como SALT II, mas o Senado dos Estados Unidos se negou a ratificar esses acordos.
O novo rearmamento promovido por Reagan, com a iniciativa de Defesa Estratégica, pôs fim aos acordos SALT.
O gasoduto da Sibéria já tinha sido explodido pela CIA.
Pelo contrário, em 1991 um novo acordo foi assinado entre Bush pai e Gorbachov, cinco meses antes do colapso da URSS. Ao se produzir tal acontecimento, o campo socialista já não existia. Os países que o Exército Vermelho tinha libertado da ocupação nazista não foram capazes sequer de manter a independência. Governos de direita que acederam ao poder se passaram com armas e petrechos à NATO, e caíram em mãos dos Estados Unidos. O da RDA, que sob a direção de Erich Honecker tinha realizado um grande esforço, não pôde vencer a ofensiva ideológica e consumista lançada desde a mesma capital ocupada pelas tropas ocidentais.
Como dono virtual do mundo, os Estados Unidos incrementaram sua política aventureira e guerreirista.
Devido ao processo bem manipulado, a URSS se desintregou. O golpe de graça foi dado por Boris Yeltsin no dia 8 de dezembro de 1991 quando, em sua condição de presidente da Federação Russa, declarou que a União Soviética tinha deixado de existir. No dia 25 desse mesmo mês e ano, a bandeira vermelha da foice e o martelo foi arriada do Kremlin.
Um terceiro acordo sobre armas estratégicas foi assinado então entre George H. W. Bush e Boris Yeltsin, no dia 3 de janeiro de 1993, que proibia o uso dos Mísseis Balísticos Intercontinentais (ICBM suas siglas em inglês) de ogivas múltiplas. Foi ratificado pelo Senado dos Estados Unidos no dia 26 de janeiro de 1993, com uma margem de votos  de 87 contra 4.
A Rússia herdava a ciência e a tecnologia da URSS — que apesar da guerra e dos enormes sacrifícios foi capaz de equiparar seu poder com o imenso e rico império ianque —, a vitória contra o fascismo, as tradições, a cultura, e as glórias do povo russo.
A guerra da Sérvia, um povo eslavo, tinha atingido duramente a segurança do povo russo, coisa que nenhum governo podia ignorar.
A Duma russa — indignada pela primeira guerra do Iraque e a de Kossovo na qual a NATO massacrou o povo sérvio —, se negou a ratificar o START II e não assinou esse acordo até o ano 2000, e nesse caso, para tentar salvar o tratado ABM que os ianques para essa data não lhes interessava manter.
Os Estados Unidos tratam de utilizar seus enormes recursos midiáticos para manter, enganar e confundir a opinião pública mundial.
O governo desse país atravessa uma etapa difícil como conseqüência de suas aventuras bélicas. Na guerra do Afeganistão estão comprometidos os países da NATO sem exeção alguma, e vários outros do mundo, a cujos povos resulta odiosa e repugnante a carnificina em que estão envolvidos em maior ou menor grau países ricos e industrializados como o Japão e a Austrália, e outros do Terceiro Mundo.
Qual a essência do acordo aprovado em abril deste ano pelos Estados Unidos e a Rússia? Ambas as partes se comprometem a reduzir o número de ogivas nucleares estratégicas a 1 550. Das ogivas nucleares da França, do Reino Unido e de Israel, todas capazes de golpear a Rússia, não se diz uma palavra. Das armas nucleares táticas, algumas delas com muito mais poder do que a que fez com que desaparecesse a cidade de Hiroshima, também não. Não se faz referência à capacidade destrutiva e letal de numerosas armas convencionais, as radioelétricas e outros sistemas de armamentos aos quais os Estados Unidos dedicam seu crescente orçamento militar, superior aos de todas as outras nações do mundo juntas.  Ambos os governos conhecem, e talvez outros muitos daqueles que ali se reuniram, que uma terceira guerrra mundial seria a última. Que tipo de expectativas podem criar-se os membros da NATO? Qual a tranqüilidade que dessa reunião deriva para a humanidade?  Que benefício para os países do Terceiro Mundo, e inclusive para a economia internacional, é possível esperar?
Não podem sequer oferecer a esperança de que a crise econômica mundial possa ser ultrapassada, nem quanto duraria essa melhoria. A dívida pública total dos estados Unidos, não só a do governo central, mas também do resto das instituições privadas desse país, eleva-se já a uma cifra que iguala o PIB mundial de 2009, que ascendia a 58 milhões de milhões de dólares. Por acaso os que se reuniram em Lisboa se perguntaram de onde saíram esses fabulosos recursos? Simplesmente, da economia de todos os demais povos do mundo, aos quais os Estados Unidos entregaram papéis convertidos em divisas que ao longo de 40 anos, unilateralmente, deixaram de ter respaldo em ouro e agora o valor desse metal é 40 vezes superior. Esse país ainda dispõe de poder de veto no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial. Por que isso não foi discutido em Portugal.?
A esperança de retirar do Afeganistão as tropas dos Estados Unidos, da NATO e de seus aliados, é idílica. Terão que abandonar esse país antes de que derrotados entreguem o poder à resistência afegã. Os próprios aliados dos Estados Unidos começam a reconhecer já que poderiam transcorrer dezenas de anos antes de finalizar essa guerra, a NATO estará disposta a permanecer ali esse tempo? Permiti-lo-ão os próprios cidadãos de cada um dos governos ali reunidos? Não esquecer que um país de grande popuplação, o Paquistão, compartilha uma fronteira de origem colonial com o Afeganistão e uma percentagem não desprezível de seus habitantes.
Não critico Medvedev, faz muito bem em tentar limitar o número de ogivas nucleares apontadas para seu país. Barack Obama não pode inventar justificação alguma. Seria risível imaginar que esse colossal e custoso desdobramento do escudo nuclear antimíssil é para proteger a Europa e a Rússia dos foguetes iranianos, procedentes de um país que não possui sequer um artefato nuclear tático. Isso não se pode afirmar nem num livro de histórias em quadrinhos.
Obama já admitiu que sua promessa de retirar os soldados norte-americanos do Afeganistão poderia se dilatar, e os impostos aos contribuintes mais ricos ser suspensos de imediato. Depois do Prêmio Nobel haveria que conceder-lhe o prêmio ao “maior encantador de serpentes” que tenha existido jamais.
Tomando em conta a autobiografia de W. Bush, tornada já “Best Sellers”, que algum redator inteligente elaborou para ele, por que não o convidaram a Lisboa? Certamente a extrema direita, o “Tea Party” da Europa, estaria feliz.
 
Fidel Castro Ruz
21 de novembro de 2010
20h36
9  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - COLOSSAL BARULHEIRA em: Novembro 15, 2010, 10:40:37
Nisso virou a reunião do G-20 iniciada ontem em Seul, capital da República da Coréia.
 
O que é o G-20?, perguntar-se-ão muitos leitores saturados de siglas. Mais um engendro  do poderoso império e seus aliados mais ricos que criaram o G-7: os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha, a França, o Reunido Unidos, a Itália e o Canadá.  Depois decidiram admitir a Rússia no clube que então recebeu o nome de G-8.
 
Posteriormente se dignaram a admitir cinco importantes países emergentes: a China, a Índia, o Brasil, o México e a África do Sul. O grupo cresceu depois com a admissão de vários países da OCDE, mais outra sigla, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico: a Austrália, a República da Coréia e a Turquia. Ao grupo adicionaram a Arábia Saudita, a Argentina e a Indonésia, e totalizaram 19. O vigésimo membro do G-20 foi nada mais, nada menos que a União Européia. A partir deste ano 2010, um país, a Espanha, recebeu a singular nomeação de “convidado permanente”.
 
Outra importante reunião de alto nível internacional é levada a cabo quase simultaneamente no Japão, a da APEC (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico). Se os pacientes leitores somam ao grupo anterior os países seguintes: Malásia, Brunei, Nova Zelândia, Filipinas, Singapur. Tailândia, Hong Kong, China Taipei, Papua-Nova Guiné, Chile, Peru e Vietnã, com importantes trocas comerciais e todos banhados pelas águas do Pacifico, têm o que é chamado APEC: Foro de Cooperação Econômica Ásia-Pacifico, o quebra-cabeça completo. Apenas lhes faltaria o mapa; um laptop pode subministrá-lo perfeitamente.
 
Nesses eventos internacionais são discutidos os aspectos fundamentais da economia e das finanças do mundo. O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, com poder decisivo nos assuntos financeiros, têm dono: os Estados Unidos.
 
É importante lembrar que ao finalizar a Segunda Guerra Mundial, a indústria e a agricultura dos Estados Unidos estavam intactas; as da Europa Ocidental, totalmente destruídas excetuando as da Suíça e da Suécia; a URSS, materialmente arrasada e com enormes perdas humanas que ultrapassavam os 25 milhões de pessoas; o Japão vencido, arruinado e ocupado. Por volta de 80% das reservas em ouro do mundo passaram aos Estados Unidos.
 
De 1 a 22 de Julho de 1944, num isolado embora amplo e confortável hotel de Bretton Woods, pequena localidade do estado de New Hampshire no nordeste dos Estados Unidos, foi realizada a Conferência Monetária e Financeira da recém-criada Organização das Nações Unidas.
 
Os Estados Unidos obtiveram o excepcional privilégio de converter seu papel moeda em divisa internacional, conversível em ouro à taxa fixa de 35 dólares a onça Troy. Visto que a imensa maioria dos países deposita suas reservas de divisa nos próprios bancos dos Estados Unidos, o que equivale a um considerável empréstimo ao país mais rico do mundo, a conversibilidade ao menos estabelecia um máximo à impressão sem limites de papel moeda. E ao menos significava uma garantia para o valor das reservas dos países depositadas em seus bancos.
 
Partindo desse enorme privilégio, e tendo a emissão de notas a limitante de sua conversibilidade em ouro, o poderoso país aumentava seu controle sobre as riquezas do planeta.
 
As aventuras militares dos Estados Unidos na aliança com as antigas potências coloniais, principalmente o Reino Unido, a França, a Espanha, a Bélgica, a Holanda e a recém-criada Alemanha Ocidental, levaram-nos a guerras e aventuras militares que deixaram em crise o sistema monetário nascido em Bretton Woods.
 
Na época da criminosa guerra contra o Vietnã, país onde os Estados Unidos estiveram a ponto de usar as armas nucleares, o Presidente norte-americano decidiu de maneira unilateral e desavergonhada suspender a conversibilidade do dólar. Desde então a emissão do papel moeda não teve limites. Abusaram de tal forma desse privilégio que o valor da onça Troy de ouro passou de 35 dólares a cifras que têm ultrapassado já os 1 400 dólares, isto é, não menos de 40 vezes o valor que manteve durante 27 anos, até 1971 em que Richard Nixon adotou a funesta decisão.
 
O pior da atual crise econômica que afeta atualmente a sociedade norte-americana é que as medidas anti-crise de outros momentos da história do sistema capitalista imperialista dos Estados Unidos não conseguiram reiniciar a marcha normal. Imerso numa dívida do Estado que se aproxima aos 14 milhões de milhões, quer dizer, tanto quanto o PIB dos Estados Unidos, o déficit fiscal continua; os enormes gastos para salvar os bancos e a redução quase a zero das taxas de interesse apenas reduzem por baixo de 10% o nível de desemprego, nem o número de famílias cujas moradias estão a ser arrematadas. Crescem os gigantescos orçamentos destinados à defesa que ultrapassam os restantes do mundo, e pior ainda: os destinados à guerra.
 
O Presidente dos Estados Unidos, eleito há apenas dois anos por um dos partidos tradicionais, sofreu a maior derrota nos últimos três quartos de século. Nessa reação misturam-se a frustração e o racismo.
 
O economista e escritor norte-americano William K. Black estampou uma frase memorável: “A melhor forma de roubar um banco é ser seu dono”. Os setores mais reacionários dos Estados Unidos afiam seus dentes fazendo sua uma idéia que seria a antítese da dos bolcheviques em outubro de 1917: “Todo o poder para a extrema direita dos Estados Unidos”.
 
Segundo parece, o Governo dos Estados Unidos com suas medidas tradicionais anti-crise, tomou outra decisão precipitada: a Reserva Federal anunciou que compraria 600 bilhões de dólares americanos antes da reunião do G-20.
 
Na quarta-feira 10 de novembro, uma das mais importantes agências de imprensa dos Estados Unidos informou: “O presidente Barack Obama chegou à Coréia do Sul para participar das reuniões dos 20 principais poderes econômicos do mundo.
 
“As tensões sobre políticas monetárias e interesses comerciais fizeram-se notar antes da cúpula do Grupo dos 20. O ambiente tornou-se quente devido a uma decisão dos Estados Unidos de inundar sua débil economia com 600 bilhões de dólares à vista. A manobra fez com que líderes do mundo fiquem enfurecidos.
 
“Obama, contudo, defendeu a medida tomada pela Reserva Federal.”
 
A própria agência comunicou à opinião mundial em 11 de novembro:
 
“Na quinta-feira, um forte sentimento de pessimismo caracterizou o início da cúpula econômica dos principais países ricos e em desenvolvimento, da qual participaram os líderes mundiais profundamente divididos sobre suas políticas monetárias e comerciais.
 
“Fundado em 1999 e elevado a nível de cúpula há dois anos, o Grupo dos 20 (G-20, um foro que abrange países desenvolvidos como os Estados Unidos e a Alemanha, e também a gigantes emergentes como a China e o Brasil) virou peça central dos esforços governamentais para reativar a economia global e evitar outro colapso financeiro mundial...”
 
“Um fracasso da Cúpula de Seul teria conseqüências graves. O risco é que os países tentem manter suas divisas artificialmente baixas para dar a suas exportações uma vantagem competitiva nos mercados mundiais e isso levaria a uma destrutiva guerra comercial.
 
“Além disso, os países ver-se-iam tentados a pôr taxas alfandegárias às exportações, uma repetição das políticas que agravaram a Grande Depressão da década de 1930.”
 
“Alguns países, como por exemplo, os Estados Unidos, acham que a máxima prioridade é pressionar a China para que permita a reavaliação de sua moeda ante outras divisas, de modo que diminuam os enormes superávits comerciais do gigante asiático com Washington ao encarecer as exportações chinesas e abaratar as importações estadunidenses.
 
“Outros países estão furiosos pelos planos da Reserva Federal estadunidense de fazer uma injeção de 600 bilhões de dólares frescos à débil economia do país. Eles vêem essa ação como uma medida egoísta para encher os mercados com dólares, diminuindo dessa maneira o valor da nota verde, oferecendo aos exportadores estadunidenses uma vantagem de preços injusta.
 
“Os países do G-20 [...] encontram pouco espaço comum no tema mais incômodo: o que se pode fazer com uma economia mundial que depende dos enormes déficit comerciais dos Estados Unidos com a China, a Alemanha e o Japão.”
 
“O presidente do Brasil, Luz Inácio Lula da Silva, advertiu na quinta-feira que o mundo iria à bancarrota se os países ricos fazem recortes em seu consumo e tentam de obter prosperidade só tendo como base as exportações.”
 
“Se os países mais ricos não consomem e todos querem espalhar sua economia com base nas exportações, o mundo irá à falência porque não existe alguém que compre. Todos querem vender...”
 
“A cúpula começou com certo pessimismo para Obama e o presidente sul-coreano, Li Myung-bak, cujos ministros não conseguiram chegar a um acordo sobre um tratado de livre comércio, estagnado há tempo e do qual havia esperanças para que fosse resolvido nesta semana.”
 
“Os mandatários do G-20 reuniram-se na quinta-feira à noite no Museu Nacional da Coréia em Seul para o jantar que marcou o início oficial da cúpula.”
 
“Nas ruas dos arredores, vários milhares de manifestantes protestaram contra o G-20 e o governo da Coréia do Sul.”
 
Hoje sexta-feira 12, a cúpula concluiu com uma declaração de 20 pontos e 32 parágrafos.
 
Como é de supor o mundo não é constituído apenas por 32 países em total que fazem parte do G-20 ou só a APEC. Os 187 que votaram a favor da eliminação do bloqueio a Cuba perante os dois que votaram a favor de mantê-lo e os três que se abstiveram, totalizam 192. Para 160 deles não existe tribuna onde possam falar sobre o saqueio imperial de seus recursos e seus urgentes necessidades econômicas. Em Seul a Organização das Nações Unidas nem sequer existe. Essa benemérita instituição não dirá ao menos uma palavra?
 
Por estes mesmos dias chegaram do Haiti notícias verdadeiramente dramáticas — onde um sismo matou em questão de minutos por volta de 250 mil pessoas em janeiro deste ano — através de agências de notícias européias:
 
“As autoridades haitianas advertem a rapidez com que a epidemia de cólera se estende pela cidade de Gonaives, na zona norte da ilha. O prefeito desta localidade costeira, Pierreleus Saint-Justin, garante ter enterrado pessoalmente 31 pessoas na terça-feira, à espera de sepultar mais 15 cadáveres.
 
“’Outros poderiam estar morrendo enquanto falamos’ declarou. [...] desde o dia 5 de novembro já foram inumados 70 corpos só na zona urbana de Gonaives, mas ‘são mais as pessoas que morreram em áreas rurais’ próximas à cidade.”
 
“... a situação ‘torna-se catastrófica’ em Gonaives  [...] as inundações provocadas pelo furacão ‘Tomas’ podem fazer com que piore a situação.”
 
 “As autoridades sanitárias do Haiti anunciaram na quarta-feira que até o dia 8 de setembro o número de vítimas produto da doença tinha aumentado em todo o país a 643. O número de contagiados de cólera no mesmo período é de 9 971. As emissoras de rádio informam que as cifras que serão divulgadas na sexta-feira poderiam fazer referência inclusive a mais de 700 mortos.”
 
“... O Governo assevera que a doença está a incidir gravemente na população de Porto Príncipe e ameaça os subúrbios da capital, onde mais de um milhão de pessoas continuam a viver em barracas de campanha desde o terremoto de 12 de janeiro.”
 
Hoje as notícias falam de 796 mortos e 12 303 pessoas afetadas.
 
Mais de três milhões de habitantes estão ameaçados, muitos deles vivendo em barracas de campanha e nas ruínas que deixou o terremoto, sem água potável.
 
A principal agência norte-americana informou ontem:
 
“A primeira parte do Fundo Estadunidense de Reconstrução para o Haiti já está a caminho, mais de sete meses depois de ter sido prometida para ajudar à reconstrução do país após o devastador terremoto de janeiro.”
 
“... transferirá nos próximos dias 120 milhões de dólares — aproximadamente uma décima parte da quantidade total prometida — ao Fundo de Reconstrução do Haiti administrado pelo Banco Mundial, disse P. J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado.”
 
“Um assistente do Departamento de Estado disse que o dinheiro destinado ao fundo será utilizado em tirar o entulho, em moradias, créditos, apoio ao plano da reforma educativa do Banco Interamericano de Desenvolvimento e para apoiar o orçamento do governo haitiano.”
 
A respeito da epidemia de cólera, doença que já afetou durante anos muitos países da América do Sul, e que se pode estender pelo Caribe e por outras partes de nosso hemisfério, não foi dita  nem uma palavra.
 
 
Fidel Castro Ruz
12 de novembro de 2010
20h49
10  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - AS ARMAS NUCLEARES E A SOBREVIVÊNCIA DO HOMO SA em: Outubro 09, 2010, 07:53:37
No ato comemorativo do 50º aniversário dos Comitês de Defesa da Revolução expressei o critério de que: “A Revolução Cubana, em nossa pequena e ignorada ilha, estava recém-nascida, pelo fato de vir ao mundo, a só 90 milhas do poderoso império, converteu-se em qualquer coisa que punha a prova a soberba da superpotência dominante em nosso hemisfério e em grande parte do mundo”. Prometi falar das palavras que proferi  dois dias antes perante a ONU. Adverti que nossa luta seria “longa e dura”. Devo pospor logo essa tarefa. Contudo, neste momento outro tema é mais importante.
Nosso povo, que como muitos conhecem no mundo caracteriza-se pelos altos níveis de conhecimentos atingidos durante cinco décadas, a partir de um país semicolonizado e monoprodutor com considerável nível de analfabetos, semi-analfabetos e baixos níveis de escolaridade geral e conhecimentos científicos, devia ser informado amplamente do que pode significar para o destino da espécie humana a energia nuclear.
“Parece-me ? disse textualmente em 28 de setembro ? que seria bom, talvez, que a gente conhecesse algumas destas idéias do que é a arma nuclear. Vi algumas imagens sobre o que é a massa crítica, o que significa seu uso como arma: bom, pegar a energia que movimenta o universo para a guerra”. A partir de “3 000 graus praticamente todos os metais e materiais…” se fundem. “ O que acontecerá a 10 000 graus? […] Pois, através da explosão atômica produto da massa crítica podem ser atingidos milhões de graus de calor…”.
Gostaria de acrescentar nesta Reflexão, para ter uma idéia do poder destrutivo dessa energia, o que escreveu Harry S. Truman em seu diário, no dia 25 de julho de 1945, a respeito de uma prova realizada no estado de Novo México: “Uma experiência no deserto de Novo México foi surpreendente, para dizê-lo de forma moderada. Treze livras do explosivo provocaram a desintegração  total de uma torre de aço de 60 pés de altura, abriram uma cratera de 6 pés de profundidade e 1 200 pés de diâmetro, derrubaram uma torre de aço a meia milha de distância e  jogaram pelo chão homens que se encontravam a 10 000 jardas de distância. A explosão foi avistada a mais de 200 milhas e escutada a mais de 40”.
Atualmente no mundo, quando perto de duzentos países foram reconhecidos como Estados independentes com direito a participarem na Organização das Nações Unidas — ridícula ficção jurídica—, a única possibilidade de forjar uma esperança consiste em levar as massas, de maneira sossegada e razoável, o fato real de que todos os habitantes do planeta correm o enorme risco.
Dentro do limitado espaço de nossas relações, em menos de três semanas tivemos a possibilidade  de receber duas eminentes personalidades.  O primeiro, Alan Robock, é investigador e professor emérito da Universidade de Rutgers, New Jersey. O cientista norte-americano, trabalhando junto a um grupo de valorosos colegas, demonstrou e levou a seu nível atual a teoria do “Inverno Nuclear”. Seriam suficientes 100 das 25 000 armas nucleares estratégicas que hoje existem — explicou-nos — para dar origem à tragédia.       
A teoria do “Inverno Nuclear” tem demonstrado que: “Se essas armas não existissem, não poderiam ser usadas.  E nestes momentos não existe de modo algum um argumento racional para usá-las.  Se não podem ser usadas, é preciso destruí-las e dessa maneira nos protegeríamos dos acidentes, dos erros de cálculo ou de qualquer atitude demencial.”
            “…qualquer país que nestes momentos estiver a pensar na via nuclear necessita reconhecer que colocaria em perigo não só  a suas próprias populações, mas também ao resto do mundo.”
            “…o uso das armas nucleares em caso de um ataque total contra um inimigo seria uma ação suicida devido ao frio e à escuridão anômalos provocados pela fumaça que provém dos fogos gerados pela bomba.”
             Robock citou as palavras de Einstein: “O poder desencadeado do átomo fez com que tudo mudasse à exceção das nossas formas de pensar, e é por isso que avançamos sem rumo para uma catástrofe sem precedentes”.
            Minha resposta ao nobre cientista foi: “Não fazemos nada com conhecê-los nós, é preciso que o mundo o conheça”.
            Em  2 de outubro chegou a nosso país outra eminente personalidade de grande autoridade e prestígio, o economista Michel Chossudovsky, Diretor do Centro de Investigação sobre a Globalização, e editor principal do conhecido e cada vez mais influente site Web Global Research, professor emérito da Universidade de Ottawa, e consultor de numerosas instituições internacionais, como o Programa de Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Banco Africano de Desenvolvimento, o Fundo de População das Nações Unidas e outras relações e méritos que seria extenso enumerar.
            Uma das primeiras atividades do economista e escritor canadense foi sua conferência no Teatro “Manuel Sanguily” da Universidade de Havana a estudantes, professores e investigadores das ciências econômicas. Ministrou-a e respondeu todas as perguntas em perfeito espanhol. Constituiu um meritório esforço de cujo conteúdo tirei as idéias essenciais, especialmente as relacionadas com os riscos de guerra fazendo uso de armas atômicas.
            “…a economia neoliberal representa nas   universidades da América do Norte realidades que são totalmente fictícias; é muito difícil para os economistas […] analisar a realidade econômica […] não existe a noção do ator econômico.”
“…a manipulação financeira, das operações ocultas dos grupos de poder, do engano que tem esse sistema econômico […] é algo que está fora do controle dos indivíduos…”
“Atualmente gostaria de focalizar ainda mais a questão da aventura militar que se leva a cabo.  É uma aliança dos Estados Unidos, da OTAN e de Israel, é um projeto militar; mas, ao mesmo tempo, é também um projeto econômico, porque é um projeto de conquista econômica.”
“…estas operações militares correspondem […] a objetivos de tipo econômico […] o objetivo econômico mais fundamental são os recursos de petróleo e de gás natural […] o leste do Mediterrâneo até as fronteiras chinesas, e do mar Cáspio até o sul da Arábia Saudita […] Oriente Médio Ásia Central, e esta região — segundo os dados — encerra, mais ou menos, 60% das reservas mundiais de petróleo e de gás natural.”
“Se comparamos isto com as reservas dos Estados Unidos, são mais de trinta vezes.  Os Estados Unidos têm menos de 2% das reservas mundiais […] e leva a cabo uma guerra […] para ter o controle desses recursos em nome de suas petroleiras […] a configuração de poder econômico detrás de esta guerra, são as petroleiras como a British Petroleum, a Chevron, a Exxon […] as grandes petroleiras anglo-americanas que estão aí, e que têm interesses nessas regiões.”
“La British Petroleum […] antigamente era a Anglo Persian Oil Company, e a Anglo Persian Oil Company era um projeto de conquista tanto do Irã como do Iraque depois da Segunda Guerra Mundial…”
“Se tomam em conjunto os países muçulmanos, somando a Nigéria, a Líbia, a Argélia, a Malásia, a Indonésia, Brunei, atingem quase 70% das reservas globais de petróleo […] os Estados Unidos levam a cabo uma guerra de religião contra os habitantes desses países onde há petróleo. […] é uma cruzada santa contra o mundo muçulmano; porém o objetivo religioso é o pretexto, a justificativa para levar a cabo essa guerra. […] os discursos de Obama, de Hillary Clinton […] fazem com que possamos acreditar que os Estados Unidos, com todo seu poder militar e um gasto militar de quase um bilhão de dólares por ano leva a cabo a guerra contra Bin Laden e Al Qaeda.”
“…a contradição do discurso vem sempre de fontes oficiais […] recentemente a CIA publicou um texto dizendo que não são mais de 50 os membros de Al Qaeda que ainda estão no Afeganistão. […] essa guerra não é contra os terroristas muçulmanos; entretanto o pretexto da guerra é combater a favor da democracia e extirpar o mal.”
“É interessante que em documentos militares se diz: ‘Se sabes o que queres, vamos buscá-los que são maus’.  Existe toda uma retórica […]  é um discurso que ninguém vai contestar, porque vem a autoridade, o presidente Obama e diz: ‘Temos que buscar Bin Laden, não sabemos onde é que está; se é necessário […] vamos buscá-lo com nossa arma nuclear ’.”
“Após o 11 de setembro foi formulada a doutrina de guerra preventiva e de guerra nuclear preventiva […] era justo, tomando como base os objetivos da luta contra o terrorismo, usar nossa arma nuclear contra eles,  e nas distorções midiáticas Bin Laden foi apresentado inclusive como uma potência nuclear […] são os poderes nucleares não estatais […] os poderes nucleares não estatais estão em aliança com o Irã que — segundo eles — é uma potência nuclear, apesar de não existir nenhuma evidência de que o Irã tem a arma nuclear.”
“…os Estados Unidos e seus aliados ameaçam o Irã com a arma nuclear, e a justificativa são as armas nucleares não existentes do Irã, e o pretexto é que o Irã é uma ameaça à segurança mundial.”
“Esse é o discurso e infelizmente esse discurso já recebeu o apoio de uns quantos governos, […] todos os governos da OTAN e Israel apóiam a opção de uma guerra nuclear preventiva contra o Irã […] que o Irã apoia Bin Laden e que é necessário impor ‘a democracia’ ao Irã fazendo uso da arma nuclear.”
“…estamos realmente em uma conjuntura onde o futuro da humanidade está afetado, porque se o Irã é atacado com armas nucleares — como já foi anunciando, e desde 2004 se realizam preparativos de guerra —, isso significa que, primeiro, nessa guerra do Oriente Médio, Ásia Central, que agora está limitada a três teatros, o Afeganistão, o Iraque e a Palestina,  vamos ver uma escalada do processo militar com a possibilidade de um cenário de guerra, a terceira guerra mundial.”
“A Segunda Guerra Mundial era um conjunto de guerras regionais. […] guerra na Europa […] guerra no Pacífico […] guerra na África […] vários teatros […] hoje é a integração por sistemas de comunicação e centralização do comando militar em um lugar, que é US Strategic Command, em Nebraska. […] com a militarização do espaço com o sistema de satélites, com os sistemas de mísseis que se chamam inteligentes, há regionalização de operações militares […] planificação militar dos Estados Unidos, porém coordenados. […] US Central Command […] Ásia Central e Oriente Médio. […]  SOUTHCOM baseado em Miami. […] África Command […]  tem sua base na Europa, não na África […] existe uma série de comandos regionais, mas a dinâmica da guerra global é muito diferente à das guerras anteriores […] uma coordenação em tempo real, aprazível, um comando único; o sistema de defesa aéreo de todos estes países da OTAN, dos Estados Unidos e agora de Israel, é integrado. […] estamos em um mundo extremamente diferente, com armas muito sofisticadas, além da arma nuclear temos a arma eletromagnética e a coordenação de todas estas operações. […] a OTAN agora tem um comando militar também integrado, de tal forma que é uma aliança extremamente coerente, que podem levar a cabo operações em qualquer parte do mundo.  […] se têm a capacidade, a nível de armas de destruição em massa, que é extremamente sofisticado.”
“Tudo isto é um contrato para umas poucas empresas que produzem as armas — nos Estados Unidos é chamado de Defense Contract—, as empresas que têm convênios com o Departamento de Defesa. […] o gasto militar nos Estados Unidos é de 75% das receitas vindas dos impostos sobre os lares, nem toda a receita do Estado Federal, mas as receitas daquilo que os indivíduos e as famílias pagam cada ano […] mais ou menos 1,1 bilhão de dólares, e as despesas militares na ordem de 750 000 milhões de dólares […] mais ou menos, 75%. […] são cifras oficiais, realmente o gasto militar é muito maior do que isso.”
“…os Estados Unidos agora têm um gasto militar que é um bocado mais de 50% do gasto militar de todos os demais países. […] sua economia também é extremamente desviada em favor de uma economia de guerra, com todas as conseqüências do declínio dos serviços sociais, do atendimento médico.
“A situação de empobrecimento que existe nos Estados Unidos, tanto pela crise como pela economia militar, é extremamente grave, e não é produto de uma escassez de recursos, é produto de uma transferência de riquezas para poucas mãos, da estagnação que se manifesta devido à compressão do nível de vida e também pela designação por parte do Estado, de quase todas suas receitas a sustentar a economia de guerra, por um lado, e também o chamado resgate bancário.”
 “…no conflito entre a União Soviética e os Estados Unidos existia uma espécie de entendimento […]   — nem sei como dizer isso em espanhol — ... Quer dizer que não vai ser usado porque já se reconhece que é um arma que vai eliminar a sociedade toda.
“Primeiro foi apresentada essa doutrina de guerra nuclear preventiva, baseada na reclassificação da arma nuclear como uma arma convencional […] na Guerra Fria existia o telefone vermelho, havia que dizer quem estava em Moscou ...  Já reconhecia-se que era perigoso, não é?”
“…em 2002 aconteceu o seguinte:  Houve uma campanha de propaganda dentro das forças armadas dizendo que a arma nuclear tática era segura para a população civil […] safe for the surround civilian population, sem dano à população civil localizada nos arredores do lugar onde acontece a explosão.  Isso foi para a bomba nuclear que eles chamaram mini-niuk — mini-niuk quer dizer pequena bomba nuclear. […] na ideologia, na falsificação científica foi apresentada essa nova geração de bombas nucleares, como sendo muito diferentes da bomba estratégica. […] Eu tenho um maço de cigarros, não sei se alguém dos que estão aqui fuma; ‘Fumar pode danar sua saúde.’ […] O que o Pentágono fez: mudou a etiqueta, com o aval de cientistas vendidos, cooptados mudaram a etiqueta da bomba nuclear. […] ‘Essa bomba nuclear é segura para a população civil, é uma bomba humanitária’.  Não exagero, podem consultar os documentos a esse respeito. […] é propaganda interna, é propaganda nas próprias forças armadas, são essas palavras — safe for the surround civilian population — […] como vocês sabem, é como se a gente utilizasse uma videocâmara, existe um manual para esta bomba.”
“Mais outro elemento:  Primeiro, não é o comandante-em-chefe, isto é, o Presidente dos Estados Unidos quem decide o uso da bomba nuclear.  A bomba nuclear, reclassificada pelo Senado em 2002 com essa categoria:  pequena bomba, que é até seis vezes uma bomba de Hiroshima, agora faz parte do conjunto de armas convencionais […] é também de terminologia militar a caixa de ferramentas, the tool box. […] é a caixa de ferramentas que eu sou o comandante-geral, três estrelas […] o cara diz: […] ‘aqui está a mini-niuk, está a ler o manual […] Aqui está escrito que essa bomba nuclear pode ser usada’.”
“Não exagero, depois que a propaganda já está nos manuais militares, é uma linha de conduta, e o problema é o seguinte:  acontece que esse discurso inquisitório é tão sofisticado, avançado, que poderia levar a decisões que são extremamente contundentes para o futuro da humanidade, e, por conseguinte, é preciso que nos unamos contra  esse projeto militar, esse projeto de guerra.”
“Mencionei 750 000 milhões de dólares em gasto militar, e 1,5 bilhões de dólares em resgate aos bancos —essas são as operações que foram implementadas em 2008-2009— […] se o gasto militar soma-se aos pagos que foram feitos aos bancos, chegamos a uma cifra maior do que todas as receitas do Estado.  Em um ano as receitas do Estado norte-americano são da ordem de 2,3 bilhões de dólares, e uma grande parte deste montante está tomado para financiar a guerra e financiar a fraude, que é produto da crise econômica […] se vemos o programa que foi implementado sob [o governo de] Bush […] era de 750 000 milhões de dólares, e depois foi implementado mais outro parecido ao começo do mandato de Obama […] um milhão de milhões mais ou menos […] o total de estas operações de resgate por diferentes vias está estimado entre 6 e 8 milhões de milhões de dólares, que seriam entre três ou quatro vezes a receita anual do Estado federal dos Estados Unidos.”
“…o Estado vai se endividar e os que supervisam o Estado são os bancos, certamente. […] aqueles que são receptores da operação de resgate são ao mesmo tempo os credores do Estado, e esse processo circular chama-se financiar seu endividamento […]  os bancos dizem:  ‘Bom, nos devem dar grana, porque temos que financiar a dívida que resulta do déficit fiscal, devido tanto ao gasto na defesa quanto ao gasto em favor das operações de resgate’.
“Estamos em uma situação extremamente grave no que respeita à estrutura fiscal dos Estados Unidos, o que leva a uma conjuntura de privatização de fato do Estado, porque não há dinheiro para financiar saúde, educação, obras públicas, qualquer coisa.  Então, aos poucos, percebe-se uma privatização do Estado e também a privatização da guerra.  Isto já está encaminhado, isto é,  que uma parte importante de esta guerra é levada por empresas privadas, mercenários, também ligados ao complexo militar ou industrial.”
Continua amanhã.
 
 
Fidel Castro Ruz
7 de Outubro de 2010
20h47
11  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - O QUE ELES QUEREM É O PETRÓLEO DA VENEZUELA em: Outubro 06, 2010, 08:55:52
Ontem eu disse o que é que faria se eu fosse venezuelano, expliquei que os pobres eram os que mais sofriam as catástrofes naturais e raciocinei por que. A seguir acrescentei: ... "onde o imperialismo domina e a oligarquia oportunista recebe uma boa parte dos bens e serviços nacionais, as massas não têm nada a ganhar ou perder, e, o império não dá a mínima importância às eleições" e que "Nos Estados Unidos, nem sequer as eleições presidenciais mobilizam mais de 50% dos que têm direito ao voto.”
 
Hoje acrescentaria que, embora nelas seja eleita a totalidade da Câmara dos Representantes, uma parte do Senado e de outros importantes cargos, não conseguiram ultrapassar essa proporção.
 
Perguntava por que, no entanto, empregam os seus enormes recursos midiáticos para tentar o derrubamento do Governo Revolucionário Bolivariano em um mar de mentiras e calúnias. O que os ianques querem é o petróleo da Venezuela.
 
Todos temos visto nestes dias eleitorais um grupo de bastardos personagens que, junto dos mercenários da imprensa local escrita, radial e televisiva, chegam inclusive até negar a liberdade de imprensa na Venezuela.
 
O inimigo conseguiu uma parte de seus objetivos: impedir que o Governo Bolivariano contasse com o apóio das duas terças partes do Parlamento.
 
O império talvez considera que obteve uma grande vitória.
 
Acho exatamente tudo o contrário: os resultados do dia 26 de setembro constituem uma vitória da Revolução Bolivariana e de seu líder Hugo Chávez Frias.
 
Nestas eleições parlamentares a participação dos eleitores elevou-se e atingiu uma percentagem recorde de 66,45. O império com os seus imensos recursos não pôde impedir que o P.S.U.V., restando 6 cadeiras por serem adjudicadas, obtivesse 95 das 165 cadeiras do Parlamento. O mais importante é o ingresso nessa instituição de um elevado número de jovens, de mulheres e de outros militantes combativos e provados.
 
A Revolução Bolivariana tem hoje o Poder Executivo, ampla maioria no Parlamento e um partido capaz de mobilizar milhões de lutadores pelo socialismo.
 
Os Estados Unidos só conta na Venezuela com fragmentos de Partidos ligados pelo medo da Revolução e por grosseiros apetites materiais.
 
Na Venezuela não poderão usar o golpe de Estado como fizeram com Allende no Chile e em outros países de Nossa América.
 
As Forças Armadas desse irmão país, educadas no espírito e no exemplo do Libertador, que no seu seio abrigou os chefes que iniciaram o processo, são promotoras e parte da Revolução.
 
Esse conjunto de forças é invencível. Não o veria com tanta clareza sem a experiência vivida durante mais de meio século.
 
 
Fidel Castro Ruz
27 de Setembro de 2010
3h:24
12  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - SE EU FOSSE VENEZUELANO em: Setembro 26, 2010, 11:55:26
Amanhã é um dia importante para a Venezuela. Estão anunciadas as eleições para escolher 165 membros do Parlamento, e à volta do importante evento se leva a cabo uma histórica batalha.
Mas ao mesmo tempo, as notícias sobre o estado do tempo são desfavoráveis. Fortes chuvas estão açoitando a terra que foi o berço do Libertador.
As chuvas excessivas afetam os pobres mais do que a ninguém. São os que têm as moradias mais modestas, moram nos bairros mais esquecidos historicamente, com difícil acesso, ruas ruins e menos trânsito. Quando as águas invadem seus lares, perdem tudo. Eles não dispõem das moradias cômodas e seguras dos ricos, suas amplas avenidas e abundantes meios de transporte.
Não se trata de uma eleição presidencial. Nas exclusivamente parlamentares, a população se mobiliza pouco e soe restar-lhe importância.
Em geral, onde o imperialismo domina e a oligarquia oportunista recebe uma parte substanciosa dos bens e serviços nacionais, as massas não têm nada que ganhar ou perder e ao império não lhe preocupa em absoluto as eleições. Nos Estados Unidos nem sequer as eleições presidenciais mobilizam mais de 50% dos que têm direito de votar.
Por que então seus enormes recursos midiáticos se viram desta vez contra a Venezuela e a submetem a um bombardeio implacável de mentiras e calúnias contra o Governo Revolucionário Bolivariano?
Não tentarei amontoar argumentos para persuadir um povo Valente e digno como o da Venezuela. Tenho assistido as mobilizações populares e o fervor de milhões de pessoas, especialmente da gente mais humilde e combativa, que teve o privilégio de viver uma etapa nova na história do seu país e que tem devolvido ao povo os fabulosos recursos da Venezuela. Já a sua Pátria não é uma nação de analfabetos, onde milhões de homens, mulheres e crianças sobreviviam na extrema pobreza.
Não lhes falarei de uma experiência que Cuba viveu, da qual falam 50 anos de resistência heróica frente ao bloqueio e os repugnantes crimes do Governo dos Estados Unidos.
Digo-lhes simplesmente o que faria se eu fosse venezuelano.
Encararia as chuvas e não permitiria que o império tirasse delas proveito algum; lutaria junto dos vizinhos e familiares para proteger pessoas e bens, mas não deixaria de ir votar como um dever sagrado: à hora que for, antes de que chova, quando chova, ou depois que chova, enquanto haja um colégio aberto.
Estas eleições têm uma importância enorme e o império sabe disso: quer restar-lhe força à Revolução, limitar sua capacidade de luta, priva-la das duas terceiras partes da Assembléia Nacional para facilitar seus planos contra-revolucionários, incrementar sua vil campanha midiática e continuar cercando a Venezuela de bases militares, cercando-a cada vez mais com as letais armas do narcotráfico internacional e a violência.
Se existirem erros não renunciaria jamais à oportunidade que a Revolução oferece de retificar e ultrapassar obstáculos.
Se eu fosse venezuelano, mesmo debaixo de raios e centelhas, lutaria até o impossível para converter o dia 26 de setembro em uma grande vitória.   
 
Fidel Castro Ruz
25 de setembro de 2010
14h17
13  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - O Inverno Nuclear em: Setembro 23, 2010, 12:52:30
Fico com vergonha de ser desconhecedor do tema, que nem sequer tinha ouvido  mencionar. Caso contrário teria compreendido muito antes que os riscos de uma guerra nuclear eram muito mais graves do que imaginei. Supunha que o planeta podia suportar o estalido de centenas de bombas nucleares ao calcular que, tanto nos Estados Unidos quanto na URSS, tinham sido feitos incontáveis testes durante anos. Não tinha tido em conta uma realidade bem simples: não é a mesma coisa fazer estourar 500 bombas nucleares em 1 000 dias, do que fazê-las estourar em um dia.
Consegui saber disso quando solicitei informação a vários especialistas na matéria. É de supor que fiquei espantado quando soube que não era preciso uma guerra mundial nuclear para que perecesse a nossa espécie.
Bastaria uma contenda nuclear entre duas potências nucleares das mais fracas, como a Índia e o Paquistão ?que entre ambas, não obstante, reúnem muito mais de 100 armas desse tipo?, e a espécie humana desapareceria.
Razoarei um bocado com os elementos de juízo que me proporcionaram os nossos peritos na matéria, tomados do que tem sido exposto pelos mais prestigiosos cientistas do mundo.
Tem coisas que Obama conhece perfeitamente bem:
“…uma guerra nuclear entre os EE.UU. e a União Soviética produziria um ‘inverno nuclear’.”
“O debate internacional acerca dessa predição, animado pelo astrónomo Carl Sagan, obrigou os líderes de ambas as super potências a encararem à possibilidade de que a sua corrida aos armamentos não apenas os colocaria em perigo a eles, mas também a toda a humanidade.”
“…‘os modelos elaborados por cientistas russos e norte-americanos mostravam que uma guerra nuclear daria como resultado um inverno nuclear tremendamente destruidor para toda a vida na Terra; saber disso representou para nós, para as pessoas de moral e honra, um grande estímulo…’.”
“…as guerras nucleares zonais poderiam desencadear uma catástrofe global similar. Novas análises revelam que um conflito entre a Índia e o Paquistão no qual fossem lançadas 100 bombas sobre cidades e áreas industriais ?só 0,4 por cento das mais de 25 000 ogivas que existem no mundo? gerariam fumaças suficientes para arruinar a agricultura mundial. Uma guerra regional poderia causar perdas de vidas inclusive em países afastados do conflito.”
“Com computadores modernos e novos modelos climáticos, a nossa equipa tem demonstrado que não só eram correctas as ideias dos anos oitenta, mas também que os efeitos durariam pelo menos 10 anos, muito mais do que antes se julgava […] inclusive a fumaça de uma guerra regional receberia calor do Sol e ascenderia para permanecer suspensa durante anos na atmosfera superior, encobrindo a luz solar e esfriando a Terra.”
“A Índia e o Paquistão, que entre ambas reúnem mais de 100 cabeças nucleares…”
“Alguns acreditam que a teoria do inverno nuclear desenvolvida nos oitenta tem caído em descrédito. Por isso talvez se surpreendam perante a nossa asseveração de que uma guerra nuclear zonal, entre a Índia e o Paquistão, por exemplo, poderia devastar a agricultura em todo o planeta.
“A teoria original estava rigorosamente validada. A sua fundamentação científica tinha o apoio de investigações realizadas pela Academia Nacional de Ciências, por estudos patrocinados pelas Forças Armadas dos EE.UU. e pelo Conselho Internacional de Sindicatos Científicos, que incluíam representantes de 24 academias nacionais da ciência e doutros organismos científicos.”
“Talvez o esfriamento não pareça coisa de particular preocupação. Mas convém saber que uma leve diminuição de temperatura pode acarretar consequências graves.”
“A quantidade total de cereais hoje armazenada no planeta poderia alimentar a população mundial durante um par de meses (Vide ‘Crises alimentares: uma ameaça para a civilização?’ por Lester R. Brown; INVESTIGAÇÃO E CIÊNCIA, Julho de 2009).”
“Às vezes, a fumaça dos grandes incêndios florestais penetra na troposfera e na estratosfera inferior e resulta arrastada a grandes distâncias, gerando esfriamento. Os nossos modelos se acomodam também a esses efeitos.”
“Há 65 milhões de anos, um asteróide impactou na península de Iucatã. A nuvem de poeira resultante, misturada com a fumaça dos incêndios, ocultou o Sol, matando os dinossáurios. O vulcanismo maciço, que ao mesmo tempo acontecia na Índia, pôde ter agravado os efeitos.”
“…o crescente número de estados nuclearizados eleva as probabilidades de que se inicie uma guerra, deliberada ou acidentalmente.
“Coreia do Norte tem ameaçado com a guerra se não se pára de inspeccionar os seus navios na busca de materiais nucleares.”
“Alguns líderes indianos extremistas propugnaram atacar o Paquistão com armas nucleares aquando dos últimos ataques terroristas sobre a Índia.”
“Irão tem ameaçado com destruir Israel, já potência nuclear, que pela sua vez tem jurado não permitir jamais, que o Irão se torne em uma potência nuclear.”
“As duas primeiras bombas nucleares comocionaram tanto o mundo, que a pesar do crescimento maciço dessas armas desde então, elas nunca voltaram a ser empregues.”
Uma guerra nuclear resulta inevitável a partir do momento em que se cumpra o prazo do Conselho de Segurança da ONU; qualquer coisa pode acontecer quando for inspeccionado o primeiro navio iraniano.
“No âmbito do Tratado Estratégico de Redução Ofensiva, os EE.UU. e a Rússia se comprometeram a deixar o seu arsenal em 1 700 e 2 200 as ogivas nucleares estratégicas instaladas para finais de 2012.”
“Se essas armas forem utilizadas contra objectivos urbanos, matariam centenas de milhões de pessoas e uma ingente fumaça de 180 Tg inundaria a atmosfera do planeta.”
“O único modo de eliminar as possibilidades de uma catástrofe climática é eliminar as armas nucleares.”
Estive reunido hoje ao meio-dia com quatro especialistas cubanos: Tomás Gutiérrez Pérez, José Vidal Santana Núñez,  o Coronel José Luis Navarro Herrero, Chefe da Secretaria de Ciência e Tecnologia do MINFAR e Fidel Castro Diaz-Balart, com quem analisei o tema de que trato nesta Reflexão.
 Solicitei a reunido ontem 22 de Agosto. Não desejava perder um minuto. Sem dúvida foi muito frutuosa.
Fidel Castro Ruz
14  Outros / Carta do leitor / Reflexiones del Cro. Fidel, MENSAGEM AOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS DE CUBA em: Setembro 05, 2010, 07:47:26
Caros companheiros:
 
Pedi para nos reunir hoje de manhã cedo, antes que nosso sol aqueça demais.
 
Esta escadaria, aonde jamais imaginei voltar, guarda lembranças inesquecíveis dos anos em que comecei a ter consciência de nossa época e de nosso dever. Podem-se adquirir conhecimentos e consciência  ao longo da vida, mas em nenhuma outra época de sua existência uma pessoa terá novamente a pureza e o desinteresse com que, sendo jovem, encara a vida. A essa idade, descobri qual meu verdadeiro destino.
 
Por isso é inevitável que, nestes instantes, me acompanhe a lembrança de tantos companheiros que conheci há exatamente 65 anos. Foi na primeira semana de setembro quando ingressei nesta Universidade, que era a única no país. É melhor que não tente nem sequer perguntar por cada um deles, e guardar só a lembrança de quando todos éramos jovens e entusiastas e, geralmente desinteressados e puros.
 
Anima-me sobremaneira ter presente aqueles que hoje são, como nós ontem, embora incomparavelmente mais cultos, mais livres e mais cientes.
 
Então, sobre esta colina universitária caía o poder da força bruta e a brutalidade da força, a inconsciência e a corrupção aplicada a nosso povo.
 
Graças ao exemplo dos que nos precederam, aos estudantes fuzilados por exigência das hordas dos chamados voluntários espanhóis, nascidos muitos nesta terra que ofereceram seu serviço à tirania espanhola, graças ao Apostolo de nossa independência e ao sangue derramado por dezenas de milhares de patriotas em três guerras de independência, parecia-nos realmente uma história que inspirava nossas lutas. Não merecíamos ser colônia de um império ainda mais poderoso, que se apoderou de nossa Pátria e de boa parte da consciência nacional, semeando o fatalismo com a idéia de que era impossível livrar-se de tão poderosa opressão.
 
Pior ainda, tinha surgido já uma poderosa camada exploradora que, ao serviço dos interesses do império, saqueava nosso povo extraindo riquezas, mantendo-o maniatado e ignorante com uso da força, e não poucas vezes, utilizando a outros nascidos no país, para que atuassem como torturadores e assassinos de seus irmãos.
 
A Revolução acabou com esses horrores, por isso é que nos podemos reunir aqui nesta manhã de setembro.
 
Quão longe estávamos de pensar depois do triunfo que, em uma oportunidade como esta, reunir-nos-íamos novamente realizando esforços ainda maiores e com objetivos superiores do que, nalgum tempo, pareceram-nos as metas mais altas dos povos, visando a justiça e a felicidade dos seres humanos.
 
Parecia impossível que um país tão pequeno como Cuba estivesse obrigada a carregar o peso da luta contra aqueles que globalizaram e submeteram o mundo a um inconcebível saqueio, e impuseram um sistema que hoje ameaça a própria sobrevivência humana.
 
Não falo só a favor dos interesses de nossa nação. Pode-se dizer que esses objetivos ficaram atrás, na medida em que a existência e o bem-estar dos povos deixaram de ser nossos objetivos, tendo por objetivo interesses mundiais, sem os quais, a vida das nações é impossível. Também é verdade que, em nossas lutas pela emancipação nacional e social, nosso país, bastião do colonialismo espanhol neste hemisfério, foi o primeiro em ser ocupado e o último em se livrar desse jugo após mais de 400 anos de dominação.
 
Nossa luta pela libertação nacional misturou-se com o esforço tenaz dos trabalhadores de nosso país por sua libertação social. Não foi obra da vontade; foi por acaso. O mérito do povo cubano é ter sabido compreender e fortalecer os laços indestrutíveis entre ambos (Aplausos e exclamações de:  “¡Viva Fidel!”).
 
O tempo que a humanidade dispõe para travar esta batalha, é incrivelmente limitado. Ao longo de mais de três meses de incessante batalhar esforcei-me modestamente por divulgar, ante um mundo inadvertido, os terríveis perigos que ameaçam a vida humana em nosso planeta. É bem sabido, e não me resta alternativa que lembrar o fato, de que não vivemos a época da cavalaria e o aço das espadas acompanhados por arcabuzes de um disparo, que foram precedidos durante séculos pelas máquinas que demoliam muralhas o tentavam fazê-lo, os carros de combate puxados por cavalos, que levavam facas nas rodas; armas, em fim, sempre cruéis, mas de limitado poder destrutivo que os humanos usaram para lutarem entre si, desde que inventaram as maças, até a Primeira e Segunda Guerra Mundial, nas quais usou armas automáticas, tanques, aviões de combate e fortalezas volantes, submarinos, torpedos, couraçados e porta-aviões que elevaram as perdas humanas a dezenas de milhões de mortos, e a centenas de milhões de vítimas da destruição, das feridas, das doenças e da fome, seqüelas inevitáveis das guerras.
 
Dois artefatos nucleares foram usados no fim da contenda. O homem jamais concebeu tão terrível destruição e extermínio. Há mais de 60 anos fala-se do bombardeio de Hiroshima e Nagasaki; em outras oportunidades salientamos que o poder destrutivo das armas acumuladas equivale a quatrocentos e quarenta mil vezes mais do que o poder de alguma daquelas bombas.  É mesmo assim, isso é o que diz a matemática.  Não acrescentou mais nada porque teria que usar palavras bastante duras a respeito das causas e dos responsáveis por essa realidade tão triste.
 
No entanto isso não foi suficiente. A pretensão de domínio econômico e militar dos primeiros em fazer uso desses aterradores instrumentos de destruição e morte, levaram a humanidade à possibilidade real de perecer que hoje encara. Não preciso argumentar o que vocês conhecem muito bem. Podemos dizer que o problema dos povos atualmente, o de mais de sete bilhões de seres humanos, é impedir que essa tragédia aconteça.
 
Não me agrada dizer a dolorosa verdade, que constitui uma vergonha para todo aquilo que é identificado como política e governo. Ocultaram a realidade ao mundo de maneira deliberada e coube a Cuba a dura tarefa de advertir a humanidade do perigo real que enfrenta. Nessa atividade não devemos desanimar-nos. Tenho usado argumentos que não desejo repetir agora. Perante os cépticos, nosso inconfundível dever é continuar travando a batalha. Consta-me que um número crescente de pessoas no mundo é ciente da realidade.
 
Comentando a primeira parte da entrevista, Comentando a primeira parte de la entrevista, publicada na segunda-feira, 30 de agosto, pela diretora do jornal La Jornada, nesse prestigioso órgão de imprensa mexicano, um cidadão de Nossa América, que a conheceu pelo sítio Web CubaDebate, enviou sua opinião com palavras tão profundas que decidi incluí-las nesta mensagem aos estudantes universitários cubanos, o fundamental de suas idéias:
 
“Faço um apelo a todos os países que hoje se encontram envolvidos em conflitos militares. Por favor, pensem sempre em conseguir uma paz verdadeira, que é o que nos convêm a todos. Nossos filhos, nossos netos e seres humanos do mundo, todos o vamos agradecer. Precisamos de viver em paz e seguros em um planeta que cada dia é menos habitável. É muito fácil de compreender. O armamento nuclear deve desaparecer, nenhum país deve possuí-lo, a energia atômica deve ser usada somente para fazer o bem. A ÚNICA VERDADEIRA VITÓRIA ESTÁ EM GANHAR A PAZ.
 
“Hoje enfrentamos dois grandes desafios: a consolidação da paz mundial e salvar o planeta da mudança climática. O primeiro é conseguir a paz duradoura sobre bases sólidas, a segunda é a de reverter a mudança climática. Há que conscientizar estes problemas que nós próprios criamos e  que somos os protagonistas das mudanças que temos que conseguir. O panorama do século passado não era igual que o deste século. O armamento neste momento, é mais sofisticado e mortífero e o planeta mais débil e contaminado.
 
“Conferência Mundial de Mudança Climática de Cancún. […] a única oportunidade que nos resta […] Estamos chegando a um ponto crítico onde não há retorno. Nesse momento, por medo, gostaríamos de fazer qualquer coisa para salvar nossas vidas, mas tudo seria em vão e tarde demais. As oportunidades em nossas vidas passam por diante de nós uma única vez e devemos aproveita-las. Nossa Mãe Natureza é como um fumante passivo que embora não tenha vicio, fazemos com que adoeça de maneira indiscriminada.”
“Ninguém tem direito a usar a violência contra nenhum ser humano, país o nação. Ninguém pode cortar uma árvore se antes não plantou três. [...] Não podemos voltar as costas à natureza. Tudo o contrário, devemos permanecer sempre abraçados a ela. Porque nós próprios somos natureza, fazemos parte desse leque de cores, de sons, de equilíbrio e de harmonia. A natureza é perfeita.
 
“Kioto significou para todos os seres humanos uma esperança...”
 
“Se não fazemos alguma coisa. Ninguém se salvará, não haverá lugar seguro sobre a terra, nem no ar, nem no cosmos. A grande energia que diariamente se acumula pelo efeito estufa, visto que os raios solares ficam presos e descarregam mais energia cada dia sobre a superfície terrestre. Provocará que se produzam desastres naturais de conseqüências que não se podem predizer. Alguém na terra teria um  botão capaz de deter tamanho desastre?
 
“não podemos perder tempo em guerras anacrônicas que nos debilitam e esgotam nossas energias. Os inimigos fazem as guerras. Eliminemos todas as causas que provoca  que o homem veja o homem como seu inimigo. Nem os que se enfrentam em uma guerra estão cientes de que essa seja a solução de seus problemas, reagem ante suas emoções e não se importam com sua consciência pensando erroneamente que o caminho para a paz é a guerra. Eu digo, sem nenhuma possibilidade de erro, que a paz com a paz se consegue e: SE QUERES A PAZ, PREPÁRATE PARA MUDAR TUA CONSCIÊNCIA (Aplausos).”
 
Até aqui o essencial de suas palavras, bem simples e ao alcance de qualquer cidadão do mundo.
 
Na quarta-feira, 1º de setembro, quando elaborava esta mensagem, uma informação divulgada pelo site Web Cuba Debate nos ofereceu a notícia seguinte: “Uma nova onda de filtrações sobre um ataque contra os objetivos nucleares do Irã que Israel prepara juntamente com os Estados Unidos, nesta ocasião pode ter um fundamento real, considera em um artigo publicado nesta terça-feira George Friedman, diretor executivo do prestigioso centro Strattor, que conta com antigos analistas da CIA entre seus colaboradores.” É uma pessoa bem preparada e com prestígio.
 
A informação também expressa:
 
“Foram numerosas as ocasiões nas quais foram difundidas diferentes versões do possível ataque contra a República Islâmica, supostamente filtradas desde os serviços secretos. Segundo especialistas, tratava-se de uma tentativa de exercer pressão psicológica sobre Teerã para obrigá-lo a procurar consenso com o Ocidente.”
 
“...esta técnica não prosperou e é muito pouco provável que seja utilizada novamente com o mesmo objetivo, salienta Friedman...”
 
“’É paradoxal, mas a nova rodada de rumores sobre a guerra esta vez pode estar dirigida a convencer o Irã precisamente de que não haverá guerra, enquanto realmente já está a ser preparada’ ...”
 
“O analista descarta totalmente que Tel Aviv leve a cabo uma operação militar sem contar com o apoio do Pentágono.”
 
“Ao mesmo tempo, o especialista adverte que a conseqüência mais grave do possível ataque contra o Irã seria que a República Islâmica bloqueasse o estreito de Ormuz, entre os golfos de Omán e Pérsico, o que faria com que colapsasse 45% dos fornecimentos mundiais de petróleo fazendo com que aumentasse o preço e dificultando a recuperação da economia mundial depois da recessão.”
 
A informação conclui desta maneira.
 
Para mim é incrível que o temor a um ataque seja devido às conseqüências que pode ter no preço do petróleo e na luta contra a recessão. Por meu lado, não tenho a menor dúvida de que a capacidade de resposta convencional do Irã provocaria uma feroz guerra, cujo controle fugiria das mãos das partes beligerantes e a mesma viraria irremediavelmente um conflito nuclear global. É o que reafirmo.
 
Um  significativo cabograma da AFP afirma que, “O ex primeiro-ministro britânico Tony Blair advertiu nesta quarta-feira que a comunidade internacional poderia ter outra alternativa que a opção militar se o Irã desenvolve armas nucleares, em uma entrevista com a BBC por ocasião da chegada de suas memórias às livrarias.”
 
E continua:
 
“’Acho que não há alternativa a isto de continuar desenvolvendo armas nucleares. Devem receber esta mensagem alto e claro’, e acrescentou fazendo referencia a uma ameaça que já brandiram várias vezes os Estados Unidos e Israel” concluiu Blair.
 
Logicamente, se estão fabricando armar nucleares eles não têm nenhuma prova nem podem tê-la,  porque o que usam são uns centros de investigação , fazendo investigações; não têm, daqui a um ou dois anos, como eles mesmos declararam, material para começar a fabricar uma bomba. Isto, sem levar em conta que os fabricantes de armas nucleares têm 25 000 armas nucleares, sem contar as convencionais inimagináveis. Não têm provas para isso, trata-se de um centro de investigação. É essa uma razão para atacá-los? Ter uma usina que produza energia elétrica, partindo do urânio, é algo que não constitui um delito, e para eles é uma prova da fabricação de armas. Já o fizeram, fizeram-no em 1981 contra um centro de investigação iraquiano, e fizeram-no em 2007 contra um centro de investigação sírio; desse não se falou, é uma espécie de mistério por que não se diz nada a esse respeito. Porque existem coisas terríveis que acontecem das quais não se fala e ninguém as publica.
 
Bom, essas são as provas, porque se fala de atacar esses reatores e esses centros de investigação. É por isso que não devemos ficar atrapalhados com a palavrinha “se tentassem” fabricar armas nucleares.
 
Uma notícia divulgada pela agência ITAR_TASS comunica que: “As sanções contra o Irã não oferecerão um resultado desejado, o problema iraniano não deve ser resolvido por nenhum método de força. Expressou o chefe da diplomacia russa Serguei Lavrov em sua intervenção ante estudantes do Instituto — que casualidade — de Relações Internacionais MGIMO.”
 
E continua:
 
“Partimos de que nenhum problema mundial deve ser resolvido pela força, salientou. Lavrov chamou a atenção sobre a posição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em relação com o Irã, particularmente, a participação do Irão no processo negociado. Aprovamos uma normalização das relações entre os Estados Unidos e o Irão, salientou.”
 
Sou da opinião que a Rússia não só é membro do Conselho de Segurança com direito a veto, mas também um poderoso país cuja opinião não pode ser ignorada. Apesar de que nessa Resolução de 9 de junho, todos os que têm direito ao veto apoiaram a Resolução. A Turquia e o Brasil não a apoiaram, e o Líbano se absteve. Esse era um momento muito importante, porque a Resolução foi aprovada, a que autoriza a inspeção dos navios mercantes iranianos e além disso estabeleceram um prazo, disseram 90 dias, alguns dizem que no dia 9 vence, outros que no dia 7. além disso diz que nesse dia tinham que informar se aceitaram ao não.
 
Agora há que esperar para ver o que é que fazem dentro de esta situação, como avaliam a opinião mundial, qual o efeito, se inventam outro prazo ou não, se declaram que não o vão fazer, ou se ratificam que o farão, poderá demorar mais ou menos, não pode ser muito tempo.
 
Recomendo estarmos atentos, e pedir à nossa mídia para nos comunicar, para acompanhar a situação.
 
Graças aos meios eletrônicos existem pessoas no mundo, um numero crescente de pessoas, que se informam, porque não podem impedi-lo, apesar de as agências de notícias e os grandes meios de informação em mãos de poderosas empresas capitalistas, guardar silêncio, o mundo está sabendo. Digo-lhes isso pela quantidade de mensagens recebidas. Eu li para vocês uma opinião que escolhi: é às 16h52, à 16h54, mais outra às 16h55, os companheiros que as recebem explicam que chegam de toda parte do mundo, não só da América Latina. É impossível compila-las e comenta-las, temos uma idéia dos estados de opinião, da credibilidade que lhes dão ou não, e posso dizer-lhes que dão uma credibilidade grande, mesmo como vocês dão. Vê-se claramente, e isso é decisivo. É uma etapa nova, jamais conheceu-se uma situação parecida com esta.
 
Por conseguinte, eu sugiro a vocês e a todos nossos compatriotas que tentem estarem atentos, e a nossa mídia que informem, porque  às vezes na imprensa internacional se guarda um silêncio estranho e depois aparecem, de repente, uma série de notícias. As que chegarão sucessivamente, cada dia são mais interessantes.
 
Ninguém pode dizer uma palavra exata do que vai acontecer, porque estes acontecimentos estão a se desenvolver.
 
O que é que acontecerá nos dias 7, 9, 15 e 20? Temos que fazer nossos planos, os planos de trabalho, cada um o seu. Eu, por meu lado, me concentro; centrei minha atenção nisso há tempo; compilando toda a informação possível.
 
Contudo, neste problema todos temos uma parte de trabalho, uma parte de responsabilidade que não significa parar as coisas que estamos a fazer.
 
Além disso, outro país muito importante, é o último a ser mencionado aqui porque foi a última notícia, essa chegou ontem à tarde.
 
Um cabograma da agencia Reuters informou que: “A União Européia pressiona a China para que cumpra as sanções contra o Irã.”
 
Porque além do acordo famoso do dia 9 de junho, o número 1929, estabelecendo as sanções que mencionei, estas potencias satélites européias e de outras partes, impuseram a sanções adicionais para estrangular o país e, nesse caso, queixavam-se com relação à China, também com relação à Rússia sobre o que é que farão, mas dizia assim:
 
“A responsável pela política exterior da União Européia, Catherine Ashton, disse na quinta-feira que pressionou a China para que garanta que as empresas chinesas não ocuparão o lugar deixado pelas outras companhias que abandonaram Irã por causa das sanções...” não diz quais as sanções, se as do Conselho ou as deles, logicamente deve estar fazendo referência a todas,.
 
Qualquer pessoa honesta pode compreender a complexidade do gravíssimo problema que hoje ameaça o mundo.
 
Companheiros estudantes universitários, como em outros tempos, segundo parece longínquos e que me parece que foi ontem, agradeço-lhes sua presença e o apoio moral que vocês oferecem a esta luta a favor da paz (Aplausos).  Os exorto a não deixarem de batalhar nessa direção. Em esta, como em muitas lutas do passado, é possível vencer (Aplausos).
 
Que a vida humana se preserve! Que as crianças e os jovens desfrutem dela em um mundo de justiça! Que os pais e os avós compartilhem com eles o privilégio de viver!
 
A distribuição justa das riquezas materiais e espirituais, que o homem é capaz de criar pelo fabuloso desenvolvimento de suas forças produtivas, é a única alternativa possível.
 
 
Muito obrigado
3 de setembro de 2010
(Ovação)
15  Outros / Carta do leitor / Reflexões do companheiro Fidel - 238 razões para estar preocupado em: Agosto 30, 2010, 11:01:38
Primeira parte

Estamos vivendo um momento excepcional da história humana. A partir de um período em que ela se divide em História Antiga, Média, Moderna e Contemporânea. Não aquela que estudávamos na escola há três quartos de século, mas sim a que Carlos Marx qualificou genialmente como pré-história. Isso seria conseqüência do incrível desenvolvimento das forças produtivas, aportada pela ciência e pela tecnologia, e seu impacto na consciência e na vida material de nossa espécie.
 
Mas também a ciência e a tecnologia aportaram uma inimaginável capacidade destrutiva.
 
José Martí, nosso Apóstolo e Herói Nacional em sua luta contra o colonialismo espanhol — que há mais de 500 anos anexou a ilha a seu país localizado a milhares de milhas de distância no Velho Continente, exterminou sua população e impôs uma nova cultura e mistura de sangue — via o futuro como fruto do desenvolvimento das idéias e a necessidade de justiça e igualdade entre os seres humanos.
 
Os grandes forjadores de nossos sonhos, aos quais consagraram sua existência, que conheceram as entranhas do monstro imperialista e com relação aos povos ibero-americanos, o “gigante das sete léguas”, lhes faltou pouco para viverem a terrível disjuntiva de tragédia extrema ou luminosa esperança que hoje envolve nosso planeta globalizado.
 
Afortunadamente nosso país fez uma Revolução. Todo o mundo aprendeu a ler e escrever, desfrutou de excelentes serviços de saúde e inclusive compartilho-os com outros povos, soube ser patriota e ao mesmo tempo internacionalista; está preparado para um mundo de justiça sem exploradores e explorados, poderá contribuir na procura de fórmulas novas que farão com que a vida na terra seja possível.
 
Parto da convicção de que o imperialismo desaparecerá porque sua existência é incompatível com a vida humana no planeta.
 
Ao longo de 88 dias, foram compilados os elementos de juízo pertinentes para explicar aos leitores o que é que está a acontecer. Usarei duas Reflexões.
 
Em 1 de junho, 8 dias antes de ser aprovada a Resolução 1929 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, as agências de imprensa publicaram cinco notícias. A agência EFE divulgava três diferentes:
 
“O Irã tachou hoje de ‘repetitivo e parcial’ o último relatório do Organismo  Internacional de Energia Atômica (OIEA) sobre o programa nuclear iraniano e mostrou-se ‘surpreendido’ pela omissão do acordo tripartido de troca de urânio assinado entre a Turquia e o Brasil.”
 
“O ministro de Exteriores iraniano, Manoucher Mottaki, escutou hoje duras críticas no Parlamento Europeu, onde os deputados lhe reprocharam a situação dos direitos humanos em seu país e o programa nuclear que impulsiona seu governo.”
 
“A Casa Branca disse hoje que o último relatório do Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA, suas siglas em inglês) demonstra que o Irã continua violando suas obrigações internacionais e nega-se a cooperar com os inspetores da ONU.”
 
Por seu lado a ANSA comunicava:
 
“O chefe do serviço secreto israelense (Mossad), Meir Dagan, considerou hoje que o acordo entre o Irã, o Brasil e a Turquia para a troca de material nuclear é um ‘engano’ maquinado por Teerã para dividir a comunidade internacional.”
 
2 de Junho:
 
“(AFP).- Os Estados Unidos estão à espera de que o Conselho de Segurança da ONU se pronuncie sobre uma resolução que promove novas sanções ao Irã no mais tardar em 21 de junho, declarou nesta quarta-feira o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.”
 
“(EFE).- O Banco Central do Irã implementou um plano para transformar 45 bilhões de suas reservas em euros, em dólares e lingotes de ouro devido à crise na moeda única, informou hoje a televisão estatal em inglês, Press TV.”
 
4 de Junho:
 
“(EFE).- Centenas de milhares de pessoas comemoraram hoje o XXI aniversário da morte do fundador da República Islâmica do Irã, aiatolá Khomeini, em um  ato onde o líder supremo, aiatolá Ali Jameni e o presidente, Mahmoud Ahmadinejad, ameaçaram a oposição e arremeteram contra os Estados Unidos e Israel.”
 
“(ANSA).- O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, advertiu hoje que um ataque contra seu país por parte de Israel seria ‘a morte do regime sionista’.
 
“(REUTERS).- Rússia e China são contra de apressar votação de maiores sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas, disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, segundo foi citado na sexta-feira.”
 
6 de Junho:
 
“(ANSA).- O chefe da oposição iraniana, Mir Hossein Mussavi, acusou hoje o governo de levar a cabo ‘políticas enganosas, escuras e daninhas’ que ‘oferecem uma oportunidade de ouro aos Estados Unidos e Israel.”
 
7 de Junho:
 
“(EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, viajará nesta semana à China para discutir a polêmica nuclear e a proposta de troca de combustível acordada com o Brasil e a Turquia, anunciou hoje a televisão local.”
 
“(AFP).- A AIEA continua à espera de uma resposta oficial dos Estados Unidos, da França e da Rússia a respeito do acordo de troca de urânio, fechado entre o Irã, a Turquia e a Rússia, informou nesta segunda-feira em Viena o diretor desta agência da ONU, Yukiya Amano.”
 
“(DPA).- O governo iraniano louvou hoje que o Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA)  incluísse o suposto programa de armas nucleares de Israel nas discussões que manterá em Viena ao longo desta semana.”
 
“( EFE).- O chefe da Agência Nuclear Russa (Rosatom), Serguei Kirienki, negou hoje que a imposição de sanções a Teerã afete a construção por parte de engenheiros russos da Central Nuclear de Bushehr, no Irã.”
 
“(EFE).- Fontes diplomáticas disseram hoje que o Conselho de Segurança da ONU poderia realizar a votação na terça-feira para decidir se é imposta uma quarta rodada de sanções contra o Irã por se negar a parar o enriquecimento de urânio.”
 
“(AFP)”.- A televisão iraniana difundiu, segunda-feira à noite, a entrevista de um homem apresentado como Shahram Amiri, físico nuclear iraniano desaparecido em 2009 na Arábia Saudita, que afirma ter sido seqüestrado pelos serviços secretos estadunidenses e árabe-sauditas e levado para os Estados Unidos.”
 
8 de Junho:
 
“(AFP).- O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad advertiu que seu pais não participará de novas negociações sobre seu programa nuclear se é submetido  a novas sanções, o que o secretário estadunidense de defesa, Robert Gates, espera que aconteça ‘muito em breve’.
 
“(REUTERS).- As sanções da ONU contra o Irã devido ao seu disputado programa nuclear foram ‘completamente acordadas’, informou na terça-feira uma fonte russa próxima aos diálogos do Conselho de Segurança.”
 
“(EFE).- O Conselho de Segurança da ONU votará nesta terça-feira se impõe uma quarta rodada de sanções contra o Irã por sua negativa a parar o enriquecimento de urânio, apesar das tentativas do Brasil e da Turquia para dar mais tempo às negociações com Teerã.”
 
“(REUTERS).- A agência oficial de notícia IRNAN informou que na terça-feira o Irã chamou a consultas ao embaixador suíço em Teerã e lhe entregou documentos que segundo diz demonstram que um cientista nuclear iraniano foi seqüestrado pelos Estados Unidos.
 
O maior número de cabogramas foi transmitido no dia 9 de junho. Essa jornada passará à história como o dia em que os Estados Unidos atravessarão o Rubicão, quando se comprometeram a tomar medidas de força contra o Irã se não permitia que seus navios mercantes fossem inspecionados em águas internacionais. Relacionarei todos pela ordem em que foram divulgados:
 
“(EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, denunciou hoje que enquanto em algumas partes do mundo a falta de água virou fator crítico, os países desenvolvidos usam mais água do que a que realmente necessitam.”
 
“(EFE).- O Conselho de Segurança da ONU aprovou hoje um novo e mais duro regime de sanções contra o Irã por sua negativa a parar seu programa nuclear, o que foi acolhido com sarcasmo pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, quem qualificou a medida de grupo de ‘moscas chatas’.
 
“(EFE).- O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, cujo país votou hoje contra as sanções ao Irã aprovadas no Conselho de Segurança da ONU, asseverou que a nova pena imposta por ‘aqueles que crêem na força’ e não no diálogo.”
 
“(AFP).- Os Estados Unidos respeitam o ‘ponto de vista diferente’ do Brasil e da Turquia no que diz respeito às novas sanções ao Irã, embora ambos os países deverão explicar por que votaram contra no Conselho de Segurança, declarou nesta quarta-feira o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.”
 
“(EFE).- Pouco antes de adotar uma nova rodada de sanções contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU, a EU e os Estados Unidos condenaram hoje com severidade, durante uma reunião da Junta de Governadores do OIEA em Viena, a falta de cooperação iraniana em relação com seu controverso programa nuclear.”
 
“(AFP).- Os Estados Unidos, a França e a Rússia expressaram na terça-feira suas reservas quanto ao acordo do Irã com o Brasil e a Turquia para a troca de urânio iraniano, poucas horas antes que o Conselho de Segurança da ONU se reúna para votar uma nova série de sanções contra a República Islâmica.”
 
“(ANSA).- Uma nova resolução com sanções ao Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas, ‘não resolverá a questão’ do litígio nuclear que afronta Teerã, advertiu hoje em um editorial um dos diários do governo sírio.”
 
“(EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, instou hoje o Irã a cumprir suas obrigações internacionais após o Conselho de Segurança do organismo impor-lhe um novo conjunto de sanções por continuar seu programa nuclear.”
 
“(AFP).- O Irã afirmou na terça-feira que as novas sanções adotadas pelo Conselho de Segurança  da ONU em sua contra ‘são apenas lenços usados e devem ir ao lixo’ e reiterou sua vontade de ir para frente, custe o que custar, com seu controvertido programa nuclear.”
 
“(AFP).- A resolução do Conselho de Segurança da ONU que impõe novas sanções ao Irã por seu programa nuclear é uma ‘vitória de Pirro’ disse nesta terça-feira o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, cujo país, membro não-permanente do corpo, votou contra a medida.”
 
“(REUTERS).- O Congresso dos Estados Unidos aprovará neste mês mais sanções contra o Irã, prognosticou na terça-feira um legislador democrata, quem salientou que as novas medidas adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU seriam um passo chave ao mesmo tempo que instou a que foram tomadas medidas mais fortes.”
 
Um total de 11 notícias divulgaram ao mundo o acontecido no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
 
No dia 10 foram mais 9 os notícias que faziam referência ao tema. Mencionarei alguns:
 
“(AFP).- Irã ameaçou nesta quinta-feira com diminuir sua relação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) um dia depois que a ONU votou a favor de novas sanções e após Rússia, seu tradicional aliado, ter congelado a venda de mísseis à República Islâmica.”
 
“(NOTIMEX).- O presidente do parlamento do Irã, Ali Larijani, afirmou hoje que infelizmente os Estados Unidos estão a jogar ‘uma inocente partida’ sobre o controverso programa nuclear de Teerã, pressionado pelo que chamou o “lobby sionista’.”
 
“(EFE).- O Governo venezuelano disse hoje que ‘rejeita categoricamente’ a resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre novas sanções políticas e econômicas ao Irã, um dia depois que o presidente Hugo Chávez exigisse ‘respeito’ para a nação persa.”
 
“(EFE).- Rússia declarou que hoje as novas sanções internacionais contra o Irã aprovadas a véspera pelo Conselho de Segurança da ONU, não lhe impedem cumprir o contrato de venda a Teerã de baterias de sistemas antiaéreos com mísseis S-300.”
 
“(ANSA).- Os Estados Unidos consideram ‘decepcionante’ o voto contrário do Brasil e da Turquia na terça-feira no Conselho de Segurança da ONU para implementar a novo grupo de sanções contra o Irã, disse hoje o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs.”
 
A seguir incluo despachos isolados que fazem referência ao tema, sem que em nenhum deles seja mostrada a menor mudança de matriz. Como dois trens, avançando por uma via férrea a toda velocidade um contra o outro.
 
“(AFP).- O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad lançou na sexta-feira uma diatribe contra os Estados Unidos e Israel, 48 horas depois de serem aprovadas novas sanções do Conselho de Segurança da ONU contra seu país, o qual  aparece cada vez mais isolado internacionalmente.”
 
“(REUTERS).- o Irã seria capaz de desenvolver armas nucleares em um lapso de três anos, disse  na sexta-feira o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, acrescentado que ainda há tempo para pressionar Teerã.”
 
“(EFE).- O Irã restringirá sua cooperação com o Organismo Internacional da Energia Atômica (OIEA) aos limites impostos pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNPN) e continuará com o enriquecimento de urânio, expressou o embaixador iraniano perante este organismo, ali Asghar Soltanieh.”
 
“(EFE).- O diretor da Organização de Energia Atômica de Irã (OEAI), Ali Akbar Salehi, advertiu hoje o Ocidente de evitar entrar em um beco sem saída e aceitar a fórmula da troca de combustível nuclear com o Irã.”
 
“(ANSA).- A  Arábia Saudita concedeu o uso de seu espaço aéreo a Israel para um eventual ataque contra plantas nucleares de Irã, após as novas sanções decididas pelo Conselho de Segurança da ONU contra a República Islâmica.
 
“Foi divulgado hoje pelo jornal britânico Times, citando fontes de Defesa no Golfo Pérsico, as quais pediram o anonimato.
 
“As fontes disseram que Riad concedeu a Israel um estreito corredor aéreo no Norte do país para diminuir a distância entre o Estado judeu e a República Islâmica.”
 
“(EFE).- Na semana passada, agentes secretos iranianos prenderam em vários pontos do país, treze supostos membros de um grupo terrorista anti-revolucionário que segundo parece estava preparado para perpetrar atentados, informou hoje o escritório de relações públicas do Ministério de Inteligência.”
 
15 de Junho:
 
“(AFP).- O chanceler brasileiro, Celso Amorim, considerou  na terça-feira uma ‘boa notícia’ que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad declarasse ainda vigente, apesar das novas sanções do Conselho de Segurança, o acordo de troca de urânio assinado por seu país com o Brasil e Turquia.”
 
“(AFP).- ).- O chanceler brasileiro, Celso Amorim, afirmou  na terça-feira que chegou o momento dos países emergentes serem escutados em ‘questões graves’  como o programa nuclear iraniano, após as potências terem ignorado uma iniciativa apoiada pela Turquia e o Brasil para desativar essas tensões.
 
“’ É altura de que nas questões graves de paz e de guerra sejam escutados os países emergentes — a Turquia e o Brasil, bem como outros como a Índia, a África do Sul, o Egito, e a Indonésia’, escreve o ministro no diário francês Le Figaro.”
 
16 de Junho:
 
“(EFE).- O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, advertiu hoje que a partir deste momento seu país será quem estabeleça as condições para um eventual diálogo sobre a controvérsia nuclear.”
 
“(ANSA).- O Irã anunciou hoje a construção de um novo reator nuclear com fins científicos e advertiu que reiniciará negociações no litígio por seus planos atômicos unicamente depois de impor castigos às potências que aprovaram sanções no Conselho de Segurança das Nações Unidas.”
 
“(EFE).- A cimeira de líderes da União Européia respaldará amanhã a aprovação de sanções ao Irã além das impostas pelo Conselho de Segurança da ONU, incluindo medidas no setor de petróleo e gás.”
 
“(EFE).- A Guarda Revolucionária, corpo de elite das forças de segurança iranianas, começaram a desdobrar-se ao longo da fronteira com o Iraque ‘perante a presença na zona dos Estados Unidos e Israel, declarou hoje um de seus comandantes.
 
“Segundo a televisão estatal em inglês ‘Press TV’, Mehdi Moini, general-de-brigada e comandante de este corpo na província nor-ocidental iraniana de Azerbaijão oeste, acusou esses e outros países de querer provocar um conflito de caráter étnico na região.
 
“’A presença de forças estadunidense e israelitas ao longo da fronteira é a razão dos movimentos militares do Irã na província’, explicou Moini.”
 
17 de Junho:
 
“(AFP).- Os dirigentes da União Européia (EU) decidiram na quinta-feira impor ao Irã, por seu programa nuclear,  sanções mais severas do que as acordadas pela ONU, encaminhadas ao setor nacional chave do gás e o petróleo, o que enfureceu a Rússia.”
 
“(DPA).- A Rússia criticou hoje duramente as respectivas ampliações das sanções ao Irã acordadas pelos Estados Unidos e pela União Européia.
 
“Estamos profundamente decepcionados porque nem os Estados Unidos nem a União Européia têm acompanhado nossa petição de renunciar a determinadas medidas.’”
 
“(AFP).- o Irã é capaz de atacar a Europa através de ‘dezenas ou inclusive centenas’ de mísseis, motivo pelo qual os Estados Unidos revisaram seu sistema de defesa antimisséis,  afirmou nesta quinta-feira o secretário estadunidense da Defesa, Robert Gates.”
 
18 de Junho:
 
“(REUTERS).- Na sexta-feira o Irã qualificou de ‘ilegais’ as sanções das Nações Unidas contra seu programa nuclear e culpou os Estados Unidos, principais defensores das medidas, de espalhar as armas atômicas por todo o mundo.”
 
20 de Junho:
 
“(EFE).- O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, disse hoje que as novas sanções contra o Irã têm uma ‘possibilidade razoável’ de funcionar e obrigar o governo de Teerã a por fim a seu programa nuclear.”
 
“(AP).- Um enviado especial dos Estados Unidos advertiu o governo do Paquistão de abster-se de concretizar um acordo para um gasoduto assinado recentemente com o Irã, visto que poderia desencadear novas propostas que o Congresso está traçando.”
 
Continuará amanhã
 
Fidel Castro Ruz
27 de Agosto de 2010
21h12
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