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Autor Tópico: DA CAMPANHA ELEITORAL EM MOÇAMBIQUE  (Lida 3772 vezes)
isabel Cabral Costa
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« em: Setembro 27, 2014, 10:16:44 »

           "Da campanha eleitoral em Moçambique"
           De Moçambique chegam-me imagens que não são próprias de um Estado de Direito Democrático, num período que deveria ser de festa: o período da campanha eleitoral, inaugurada precisamente na sequência da assinatura do acordo de cessação das hostilidades militares entre a FRELIMO e a RENAMO. Um período que deveria ser de paz.
          No 24º dia da campanha eleitoral, Macia, no distrito de Bilene da província de Gaza, foi palco de violentas agressões físicas e danificações de viaturas, quando um grupo de elementos do MDM aí chegou com o propósito de levar a cabo uma acção de propaganda eleitoral, e foi impedido de o fazer por um grupo de pessoas, alegadamente da FRELIMO. Os actos a que assistimos não se enquadram num Estado civilizado que aspira a ver consolidada uma democracia multipartidária.
          No 26º dia da campanha eleitoral, Nampula assistiu, durante as cerimónias de comemoração do dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, a confrontos físicos entre membros e militantes da FRELIMO e membros e militantes do MDM, e a confrontos físicos entre elementos da Polícia da República de Moçambique e membros e militantes do MDM. Tais confrontos geraram-se quando um grupo do MDM, transportando um caixão coberto por uma capulana com a imagem do candidato da Frelimo, e entoando cânticos contra este, chegou à Praça dos Heróis, onde estava a decorrer uma cerimónia integrada naquela comemoração.
           Imagens de Nampula-a-Linda, que, assim, deixa de ser tão linda aos nossos olhos. Em plena Praça dos Heróis, onde eu, há muitos anos,  menina ainda, durante os meses de permanência em Nampula (quando a Praça tinha a designação de Praça Major Neutel de Abreu), passava diariamente, sem sequer imaginar que, um dia, nessa Praça, teriam lugar cenas com um cunho tão triste.
          E todos estes acontecimentos surgem a par de outros actos de violência que vêm ensombrando esta campanha eleitoral.
          Aquilo a que o mundo está a assistir em Moçambique é um espectáculo a todos os títulos lamentável, no qual grupos de cidadãos fazem tábua rasa dos mais elementares princípios constitucionais e dos direitos humanos fundamentais.
          Actos que em nada dignificam quem os pratica e que não contribuem para que Moçambique granjeie a admiração da comunidade internacional.
          A menina que outrora viveu em Nampula, hoje mulher, sente-se defraudada nas suas legítimas expectativas, pois acreditava que a paz em Moçambique era possível.
          Afinal, onde mora o Estado de Direito Democrático constitucionalmente consagrado em  Moçambique ?
          Até quando este estado de coisas, meu Deus? Até quando?
                                                                                                                                   
                                                                 Isabel Cabral Costa - Portugal.
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