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Autor Tópico: Desabafo de passageiro da TCO que estava no acidente de Muxúnguè  (Lida 3029 vezes)
linguadeperguntador
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« em: Maio 04, 2012, 02:59:51 »

Boa Noite!

Quero mais uma vez compartilhar o triste acidente ocorrido hoje por volta das 5:05 a cerca de 10Km de Muxungue, se calhar para chamar atenção a todos que se fazem as estradas, dos perigos que isso pode representar e procurar que quem de direito faca alguma coisa com vista a parar com as mortes nas nossas estradas.

Na verdade fica difícil explicar o acidente embora fosse o ocupante da primeira fila, portanto, junto ao para brisa do autocarro. O facto e que na hora do acidente eu estava acordado e em nenhum sentiu-se dentro do autocarro alguma tentativa ou de desviar ou alguma travagem que pudesse mostrar que o motorista do autocarro estava atento na condução, afinal éramos mais de 60 passageiros.

Acredito sim, que o camião avariado estava estacionado razoavelmente bem, conduto devia não ter pré-sinalização de perigo (triângulo) ou ramos de árvores como e pratica na EN1, contudo sendo uma recta era obrigação do motorista ter visto o obstáculo a sua frente, mesmo que de repente, para evitar que se perdesse no local 5 pessoas e 21 pessoas ficassem feridas. Infelizmente, a ocupante que estava do meu lado perdeu a vida no hospital, a mesma sorte coube a outro jovem que viajava no piso de baixo.

Perdidos naquele mato, sem eira nem beira, sem nenhum sinal de quem quer que seja do TCO, a excepção dos motoristas e a assistente, foram horas dificies para todos nos, e felizmente o apoio por parte do Hospital do Muxungue e outras pessoas de boa fe de algumas instituições locais, as pessoas feridas e instaladas sobre os troncos e destroços da viatura pouca a pouca foram sendo removidas do local para receberam tratamentos que tanto clamavam.

A primeira viatura do TCO só chegou ao local por volta das 12:30, portanto, 7 horas e 30 minutos depois, da ocorrência, embora a viagem Beira - Muxungue seja de aproximadamente 3 horas e 30min.

Sem preocupação com os feridos, nem com as pessoas que se encontravam na vila a de Muxungue a espera de socorro, a frota de viaturas do TCO (Autocarro e Mini-bus Sprinter) rumou para o local do acidente, numa acção clara de quem esta preocupado apenas com a viatura e não com almas e corações de pessoas clamando por socorro.
É caso para dizer, Grandes Empreendendores - negócio primeiro e o resto a "Ímpar Paga".

Há que repensar seriamente nas viagens nocturas nas nossas estradas; há que repensar na segurança rodoviária - sem tabus.

E como fecho do filme, a nossa grande TCO veio nos socorrer com um autocarro sem janelas que se possam abrir e sem A/C funcional numa tentativa de acabar connosco desta vez por asfixia.

O nível de responsabilidade e cultura de segurança tanto dos que conduzem e que são responsáveis pela segurança rodoviária, como dos que cruzam as estradas como simples peoes, esta visto que ainda ha muito por fazer, ou por outra, nada tem sido feita, senão o velho discurso de Condução Com Álcool não combina.

Porque não exames psicotécnicos nas escolas de condução? Será que conduzir e só saber trocar as mudanças e controlar o volante? Álcool, Cansaço, Falta de Atenção, má sinalização são os inimigos da condução e são todos associados a questões comportamentais das pessoas. Ser responsável e saber que, se estou cansado nao devo conduzir, se estou nervoso nao devo conduzir, se estou bêbado não devo conduzir etc., etc. tudo problema de comportamento - educação.

Na verdade o álcool pode ser sim parte do problema, mas contudo tenho que aceitar que, e apenas o "ice-berg" do problema - a responsabilidade e cultura de segurança são no meu entender o que de facto devia ser visto e tomado com seriedade, tanto ao nível das escolas de conducao, quer ao nível do INAV/Policia de transito. Automobilista e peão educados não conduzem e nem atravessam as estradas embriagados. Automobilistas cansados, nervosos e irresponsáveis nao deviam conduzir, para reduzir o nível de sinistralidade nas nossas estradas.

Porque não cria a semelhanca do INGC um Instituto virado a segurança de pessoas e bens que pudesse controlar e monitorar todas as questões ligadas a segurança, tanto nas estradas, nas empresas, nos hospitais, nas industrias que são cada vez mais diversificados no nosso pais.

Desabafo de quem esteve enterrado e Deus negou lhe a morte.

Gilberto Gaspar Muzemane
« Última modificação: Maio 04, 2012, 03:38:33 por linguadeperguntador » Registado
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