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Autor Tópico: ESTUDANTES MOÇAMBICANOS NA UNIVERSIDADE INTERNACIONAL DE ÁFRICA-SUDÃO  (Lida 3359 vezes)
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« em: Maio 28, 2012, 07:30:17 »

Os estudantes moçambicanos na universidade acima citada vêm por este meio manifestar o descontentamento quanto ao pronunciamento do Governo (Ministério da Educação e Instituto Nacional de Bolsas de Estudo) face à situação em que se encontram. Recordamos que em nenhum momento colocámos o Governo como responsável pelo nosso envio, mas sim certas personalidades a citar:

Yussufo Fábula (827073520), Tayob da Silva Cadango (824516760), Tembo Luís (823880430) e Adamo (843405061), conforme vem na carta anterior publicada pelos meios de comunicação social.

Queremos deixar claro que a carta que enviámos ao INBE não difere da carta que enviámos ao MINED e ao Ministério da justiça, cujo objectivo não era de furar os cofres do Estado, apesar de carecermos de fundos para custear os nossos estudos, pois que é bem sabido que as verbas que o  Estado atribui são para uma determinada classe e nós estamos a quilómetros dessa classe. Mas para além disso, a carta abordava problemas sociais em que estamos afogados e que para a solução dos mesmos é imperativa a intervenção do Governo.

Acham que se fossem somente problemas financeiros, seria necessário metermos o problema no Ministério da Justiça? Qual é o ensinamento que devemos colher deste distanciamento do Governo? O que quer dizer com isso? Já não somos considerados moçambicanos? Ou já estamos fora das leis moçambicanas? Quer dizer que se alguém comete(r) injustiça contra nós não será julgado? E quando cometermos qualquer irregularidade não seremos julgados só pelo simples facto de sermos enviados ilegalmente por organizações islâmicas? Esclareçam bem este distanciamento.

Voltamos a recordar que a carta que foi enviada aos meios de comunicação social foi uma denúncia. Nós, como estudantes, fizemos uma denúncia perante o Governo contra os responsáveis pelo recrutamento dos moçambicanos. Porque é que o Governo não está interessado em ouvir-nos?
A carta foi muito objectiva e clara, surpreende-nos agora ao notarmos a falta de percepção de certas personalidades.

Para melhor esclarecimento, referimo-nos aos problemas sociais e é neste ponto onde se centraliza a verdade e o Governo considera isso UM café da manhã. Lembrem-se, quando trouxemos o discurso do senhor Fábula que dizia: “...QUEM É O GOVERNO? NÓS SOMOS O GOVERNO! SE FIZEREM A CARTA AO GOVERNO, A CARTA VEM A NÓS ...QUEM DO GOVERNO VAI JULGAR-NOS ? EU SOU ADVOGADO, ESTOU EM CONDIÇÕES DE ME DEFENDER A QUALQUER HORA, E VOCÊS ? QUEM É O VOSSO ADVOGADO ? E COMO SE NÃO BASTASSE SÃO POBRES E MEDROSOS. QUEM DE VOCÊSS ESTÁ CAPACITADO PARA FALAR COM O GOVERNO ? VEREMOS QUEM SERÁ OUVIDO PERANTE O GOVERNO...” parecia mentira, mas agora não precisamos de usar óculos para ver. Hoje quem o pode contrariar? De certeza que ninguém. Ele é o Governo e ninguém o vai julgar…

Hoje é o Governo a fingir que não vê perante uma situação visível PARA todos. Ontem foi o Papá Guebuza a dizer: ''Temos que lutar contra o crime organizado'' e hoje é um membro do Governo que diz "o Governo distancia-se dos estudantes moçambicanos no Sudão”. Porquê?

Na nossa percepção, o crime organizado é abrangente, tanto é que estamos perante o mesmo. Recrutaram jovens moçambicanos do nível médio (12ª classe) para estudarem fora do país como bolseiros, pagaram bilhetes de avião, deram 300 dólares, depois da chegada condicionaram-lhes o financiamento da bolsa à integração num grupo sem objectivos claros. Não é isto um crime organizado? Recentemente, a ministra da Justiça Benvinda Levi falava sobre a chamada "lei de protecção dos denunciantes" que foi aprovada por unanimidade das três (3) bancadas parlamentares na Assembleia da República. A questão que colocamos é: A ministra da Justiça não recebeu a nossa denúncia? Se recebeu, qual é a protecção que temos?

Porque é que o Governo não quer investigar o assunto? Não acham perigoso 45 estudantes fora do país sem a concepção do Governo? Só pelos discursos dos responsáveis é visível que existem muitas obscuridades.

Quando o Ministério da Educação diz que "os estudantes foram enviados para prosseguir com os estudos de foro religioso", talvez seja pela nossa falta de vocábulos apropriados, ou pelos nossos erros ortográficos e gramaticais que o fazem chegar a esta conclusão, pois como é sabido estamos num país onde a língua oficial é o Árabe. Cientes da nossa falta de uso correcto da língua portuguesa, as nossas tamanhas e sinceras desculpas. Mas a verdade é que estamos num mundo académico, como referimos na carta anterior, a fazer os seguintes cursos: engenharia, informática, letras, economia, direito, educação, ciências puras e aplicadas, e medicina.

Esperamos que o Governo moçambicano lute contra o crime organizado, contra o espírito de deixa andar, corrupção e mais actos maliciosos que afectam a sociedade moçambicana. Pedimos aos membros do Governo que ajudem o Papá Guebuza nessa luta, porque não basta só o Presidente lutar. Enquanto os membros do Governo, imprensa, sociedade civil e o povo em geral não lutar, dificilmente teremos o Moçambique que tanto almejamos.

Mas saibam que enquanto o Governo se distância de nós, os responsáveis pelo recrutamento de jovens moçambicanos para este país não estão parados, pois meteram uma queixa contra os estudantes que redigiram a carta e, como resultado disso, em menos de cinco (5) dias fomos notificados três (3) vezes e num dos encontros fomos demasiadamente ameaçados. E até então, estamos sem saber o que farão de nós uma vez que não tivemos nenhum resultado nos três encontros, e acima disso o nosso Governo distancia-se de nós.

O que mais nos inquieta é o facto de ter chegado um pedido de identificação civil de cada estudante, contacto, cuja proveniência era indispensável na identificação. Segundo Sualeh Mustafa, um dos filiados dos responsáveis pelo recrutamento dos jovens moçambicanos a este país, o pedido vem do director nacional do INBE, Octávio de Jesus, com quem manteve contactos e da Polícia de Investigação Criminal de Moçambique (PIC) .

A questão que se coloca é: se considerarmos verdade, porque é que a Polícia de Investigação Criminal, ao invés de entrar em coordenação com os queixosos, entra em coordenação com as pessoas sobre as quais pesam as acusações? E se não considerarmos verdade, qual é a liberdade que os tais responsáveis têm de usar a Polícia de Investigação Criminal e o Instituto Nacional de Bolsas de Estudo para o levantamento da nossa identificação? E para que objectivos?

Encerramos o nosso discurso pedindo ao Governo para intervir na resolução do caso, e pedimos ao mesmo para ter uma comunicação directa com os queixosos, uma vez que até então nunca tivemos diálogo com nenhum membro do Governo face ao nosso caso, pelo que aguardamos a vossa justa intervenção.
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