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Autor Tópico: Os contornos dos exames extraordinários  (Lida 3265 vezes)
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« em: Dezembro 12, 2012, 02:14:24 »

Se o objectivo dos exames extraordinários é permitir que o cidadão que não tenha concluído um certo nível o faça, estamos de acordo. Bem como dar espaço àquele que, por razões profissionais, não possa estar nos bancos da escola, mas sim, poder ser examinado.
Mas há que reconhecer que estes exames só vieram manchar o processo educativo no nosso país. Senão vejamos:
Hoje, quando se fala de ensino o tema Fraude constitui a nota dominante na praça pública, onde é apontado com maior saliência o coitado do professor. Este vira o mau da fita, quando se trata do fim do ano, pois nem os directores, muito menos os inspectores que pululam nas escolas quando o processo começa confiam no docente, o que de facto é lamentável.
Os números de casos fraudulentos ganharam proporções alarmantes desde que se introduziu os exames extraordinários, na medida que, são envolvidos neste processo candidatos que não se preparam e que a todo o custo procuram o certificado para apresentar no serviço e subir de categoria. Daí que, são candidatos que fazem de tudo para criar situações de fraude, com vista a lograrem os seus intentos. São tidos como perigosos, pois vão as escolas munidos de valores monetários que atentam o professor que mal recebe o seu salário, como é do domínio de todos.
Por mim, há que abolir estes exames, porque em termos de resultados não satisfazem o objectivo pré – concebido. Cada vez que se realizam surgem muitos problemas e muitas reprovações. São professores que se envolvem em problemas e os próprios alunos. Os resultados são sempre desastrosos em todo o país, porque ninguém se prepara para realizar estas provas. A única coisa que o aluno faz é preparar esquemas de fraude para poder passar, arranjando formas para poder receber respostas que, quanto a mim provêem duma fonte superior.
Como é que por vezes, circulam respostas ou exames antes da sua realização, pois os mesmos não são guardados nas escolas? São situações estranhas que vêem a tona, pois já há um certo desgaste por parte dos intervenientes neste processo educativo, principalmente, o professor que é sempre acusado de estar envolvido em esquemas, esquecendo-se que para além deste, há pessoas que guarnecem os exames nos armazéns. Há motoristas que transportam os mesmos da África do Sul, onde são impressos, para Moçambique. Simplesmente, falando…quem controla na elaboração dos guiões de correcção e dos próprios exames? Pelo que sei, o coitado do professor está longe disto, o estatuto que este tem quando chega a época de exames é o de vigiar (ser guarda), actividade que o faz sob forte dispositivo de segurança, pois não é confiado! Entramos logo, no jogo de quem controla o controlador…?
Entretanto, dentro de dias as escolas vão divulgar os resultados dos exames da segunda época que incluem os candidatos externos. Confesso-vos desde já que os resultados estarão a quem das expectativas, principalmente para o segundo grupo.
Claro está, o Estado está a ganhar com isso, amealhando valores das inscrições de quase mesmo número de candidatos que não conseguem transitar. Vou apresentar aqui alguns dados dos últimos exames extraordinários realizados, em Julho:
A maior parte dos alunos da 10ª e 11ª classes e do ensino técnico profissional submetidos aos exames extraordinários realizados em Junho último, reprovou.
Só na 10ª classe, o nível de aproveitamento não superou os 20 por cento, enquanto que na 12ª classe, embora sem terem sido revelados os números, foram desastrosos.
 
Por exemplo das 1.398 pessoas submetidas ao exame na disciplina de Matemática, da 10ª classe, na capital moçambicana, apenas 99 alunos, o correspondente a 7 por cento, conseguiram ter nota positiva. Na prova de Física, dos 1.292 examinados, somente 71, o equivalente a 5 por cento, passaram.
 
O caso mais gritante foi na prova de Química, na mesma classe, onde dos 1.417 candidatos, apenas 29, cerca de 2 por cento, saíram-se bem.
 
O melhor aproveitamento na 10ª classe verificou-se na Geografia, em que dos 668 inscritos, conseguiram nota positiva 144, o equivalente a 21,5 por cento, seguido da língua inglesa com um aproveitamento fixado em 19,5 por cento.
 
No ensino técnico-profissional, onde foram realizados as provas de Matemática e Português, o aproveitamento situou-se, em média, nos 50 por cento.
 
Só para ver, isto é uma vergonha nacional, pois é um facto que se notabiliza frequentemente. Então, para quê continuarmos com este processo que só desgasta o professor? Estes candidatos que arranjem formas de regressarem ao banco da escola e frequentar a classe que pretendem concluir, porque só assim irão minimizar a exigência no exame, ao levarem a nota de frequência que tem direito o aluno interno, porque ir ao exame com nota zero e sem nenhuma preparação é o mesmo que escrever em cima da água.

Alcides Bazima
 
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